2.ª edição do AHTLS reúne em Luanda, de 28 a 30 de Setembro, delegações de 27 países; organização aponta para investimentos no Corredor que podem variar entre 6 e 26 mil milhões de dólares
O Corredor do Lobito e a mobilização de investimento para infra-estruturas voltam a dominar a agenda do sector dos transportes em Angola. De 28 a 30 de Setembro, o Centro de Convenções de Talatona, em Luanda, acolhe a 2.ª edição do Angola Hub Transporte e Logística Summit (AHTLS 2026), um encontro realizado pelo Ministério dos Transportes, com produção da AS Consulting, que reúne decisores políticos, investidores, operadores logísticos e especialistas de 27 países da SADC e de mercados internacionais.
O Corredor do Lobito concentra grande parte dos debates, com foco na expansão ferroviária, na modernização portuária e nas cadeias logísticas ligadas à mineração, à agricultura e ao comércio internacional. O eixo liga Angola, a República Democrática do Congo e a Zâmbia aos mercados internacionais através do porto atlântico do Lobito.
Uma estimativa de investimento com margem ampla
Segundo o Ministério dos Transportes, o Corredor envolve investimentos projectados entre 6 e 26 mil milhões de dólares — um intervalo amplo que, por si só, reflecte o grau de incerteza ainda associado à concretização do projecto. Entre os parceiros apontados constam a União Europeia, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Itália, os Países Baixos, o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento, num alinhamento que confirma o interesse geoestratégico ocidental no corredor — visto por vários analistas como contrapeso à influência chinesa nas infra-estruturas africanas.
A distância entre o potencial anunciado e os compromissos efectivamente firmados é, precisamente, um dos pontos que o próprio Summit assume querer encurtar. Nas palavras do director executivo do evento, António Santana, o objectivo do encontro é transformar o potencial do corredor em parcerias concretas e decisões de investimento, justificando assim a reunião, em Luanda, de governos, operadores e financiadores.
Investimento, inovação e sustentabilidade nos restantes eixos
Para além do Corredor do Lobito, a edição de 2026 organiza-se em torno da atracção de capital para projectos estruturantes, através de uma Bolsa de Oportunidades de Investimento que aproxima promotores de projectos de fundos, bancos de desenvolvimento e instituições financeiras com interesse nos transportes, logística, armazenagem e infra-estruturas multimodais.
A tecnologia ocupa também espaço na agenda, com sessões sobre inteligência artificial aplicada aos transportes, automação portuária, rastreamento de mercadorias, blockchain e plataformas digitais de gestão logística. Está ainda prevista uma Bolsa de Inovação dedicada a startups da SADC, com três sessões de pitch e a entrega de prémios no último dia. A sustentabilidade — corredores verdes, redução da pegada carbónica e energias limpas — surge como o terceiro eixo estruturante do programa.
Com este encontro, Angola procura consolidar o posicionamento que tem vindo a reivindicar de hub logístico da SADC e ponto de ligação entre os mercados africanos e as cadeias globais de comércio. A dimensão desse papel, contudo, dependerá menos da retórica das cimeiras e mais da capacidade de converter anúncios de investimento em obra executada — um teste que o Corredor do Lobito enfrentará nos próximos anos.





