Sobreviventes relataram que embarcação permaneceu 15 dias à deriva entre a Argélia e Maiorca
Autoridades espanholas lançaram operações de busca enquanto cresce a utilização da rota argelina para alcançar Espanha
Pelo menos 17 migrantes são dados como mortos após uma tentativa de atravessar o Mediterrâneo em direcção às Ilhas Baleares, em Espanha. A informação foi avançada pelas autoridades espanholas com base no testemunho de dois sobreviventes resgatados ao largo da ilha de Maiorca, embora o número de vítimas ainda não tenha sido confirmado de forma independente.
Segundo os sobreviventes, a embarcação partiu da Argélia com 19 pessoas a bordo e permaneceu cerca de 15 dias à deriva antes do resgate. Os dois homens encontrados apresentavam sinais de desnutrição e desidratação severas e foram transportados para uma unidade hospitalar. As autoridades iniciaram uma operação de busca na zona onde o salvamento ocorreu.
No mesmo dia, um segundo incidente foi registado nas proximidades de Maiorca. Outra embarcação com cerca de 30 migrantes foi localizada, tendo 17 pessoas sido resgatadas com vida e duas mortes confirmadas. As equipas de emergência continuam a procurar os passageiros desaparecidos.
A rota marítima entre a Argélia e as Ilhas Baleares tornou-se a via migratória com maior crescimento para a União Europeia durante o primeiro semestre de 2026, apesar da redução global das chegadas irregulares ao bloco e da diminuição de cerca de 25% das entradas em Espanha. De acordo com as autoridades, as redes de tráfico de migrantes têm deslocado parte das operações para a costa argelina, onde consideram existir menor pressão de controlo do que na fronteira marroquina.
Perante esta evolução, Espanha reforçou a cooperação com a Argélia para combater o tráfico de seres humanos e intensificou a vigilância marítima ao longo da costa mediterrânica. O Governo espanhol procura travar o aumento das travessias clandestinas, consideradas uma das rotas mais perigosas para quem tenta alcançar território europeu.
O novo episódio evidencia os riscos crescentes da rota argelina para as Baleares, que continua a ganhar importância nas redes de migração irregular e a provocar um número elevado de vítimas no Mediterrâneo.





