Oferta da UNITEL reservou um milhão de acções a trabalhadores e Comissão Executiva estima que cerca de metade do quadro subscreveu

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A parcela correspondia a 2 por cento do capital, abrangia três empresas do grupo e valia 40,04 mil milhões de kwanzas ao preço final da operação. A BODIVA não divulgou a desagregação da procura por segmento, pelo que não é possível determinar se a parcela foi integralmente subscrita

A oferta pública da UNITEL reservou um milhão de acções aos trabalhadores do grupo. A Comissão Executiva estima que cerca de metade do quadro subscreveu, sem números apurados.

Segundo o anúncio de lançamento da operação, publicado pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC), um milhão de acções, correspondentes a 2 por cento do capital social, foi reservado aos trabalhadores e membros dos órgãos sociais da UNITEL, da Unitel Serviços de Pagamentos Móveis e da Unicanda Agro-Industrial. As restantes 6,5 milhões de acções, equivalentes a 13 por cento do capital, destinaram-se ao público em geral. Ao preço final de 40.040 kwanzas por acção, a parcela reservada valia 40,04 mil milhões de kwanzas.

As condições de preço foram idênticas para os dois segmentos. O intervalo indicativo situou-se entre 36.036 e 40.040 kwanzas por acção, aplicável tanto ao público em geral como aos trabalhadores, e o preço final foi único para todos os destinatários. A sua fixação, porém, dependeu exclusivamente da procura registada na oferta dirigida ao público em geral. O limite máximo de 2.499.999 acções por investidor aplicou-se à cumulação dos dois segmentos.

A adesão dos trabalhadores foi abordada no painel que se seguiu à cerimónia de admissão à negociação, realizada a 29 de Julho em Luanda. O presidente da Comissão Executiva da operadora, Amílcar Safeca, estimou que cerca de metade dos trabalhadores subscreveu acções, ressalvando expressamente que os números não estavam completamente apurados. Não indicou o número absoluto de subscritores, o montante total investido nem a dimensão do quadro de pessoal, e não esclareceu se a estimativa se referia apenas à UNITEL ou ao conjunto das três empresas abrangidas pela parcela.

Safeca associou a adesão ao comportamento das equipas durante o ataque cibernético que atingiu a operadora na véspera. Descreveu uma situação de crise que obrigou à montagem de um gabinete próprio e relatou que, nas conversas mantidas ao longo desse dia, vários trabalhadores invocavam a condição de accionistas, dizendo que “esta também é a nossa empresa”. Acrescentou que quase todos os que tiveram de intervir directamente na resolução do incidente estavam motivados não apenas profissionalmente, mas por saberem que defendiam “um bem que também lhes pertence”.

O responsável interpretou a subscrição pelos trabalhadores como um factor de reforço da responsabilidade no acompanhamento dos processos de negócio e no crescimento da empresa. O moderador do painel referiu, a propósito, a elevada taxa de retenção da operadora, com quadros que acumulam entre dez e vinte anos de casa. Safeca é ele próprio um caso desses: está na empresa desde a fundação, há 25 anos, e ocupa posições de responsabilidade há cerca de duas décadas.

Não é possível determinar, com a informação divulgada, se a parcela reservada foi integralmente subscrita. A BODIVA comunicou uma procura total de 9.054.299 títulos para as 7,5 milhões de acções colocadas, o que corresponde a um rácio de cobertura de 120,7 por cento, mas não desagregou esse valor entre os dois segmentos. Não foi igualmente esclarecido se eventuais acções não subscritas pelos trabalhadores foram reafectadas ao público em geral, nem se o mecanismo de alocação por escalões sucessivos, aplicado à oferta dirigida ao público, valeu também para a parcela reservada.

Também não foi divulgado se a subscrição pelos trabalhadores beneficiou de qualquer condição adicional, como mecanismo de financiamento ou período mínimo de detenção obrigatória. A partir da admissão à negociação, as acções passaram a ser livremente transaccionáveis, o que significa que a poupança aplicada pelos trabalhadores fica sujeita à evolução da cotação. Na mesma cerimónia, a presidente da Comissão Executiva da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), Cristina Lourenço, apelou à racionalidade na tomada de decisões e lembrou que as acções são instrumentos de rendibilidade variável, sujeitos a ganhos potenciais e a riscos.

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