Lucros das duas empresas compensaram perdas registadas por grande parte das restantes empresas públicas
Relatório mostra forte dependência da Sonangol, enquanto transportes, construção e educação continuam entre os sectores mais deficitários
As empresas do Sector Empresarial Público (SEP) que apresentaram contas relativas a 2025 registaram um lucro agregado de 949,0 mil milhões de kwanzas, mais 20% do que no ano anterior. No entanto, sem os resultados da Sonangol e da Unitel, o conjunto das empresas públicas teria encerrado o exercício com um prejuízo de 72,0 mil milhões de kwanzas, evidenciando a forte dependência do sector em relação ao desempenho destas duas empresas.
Segundo cálculos publicados pelo jornal Expansão, a Sonangol obteve um lucro de 862,4 mil milhões de kwanzas, equivalente a 91% do lucro agregado do Sector Empresarial Público. A Unitel, por sua vez, registou um resultado líquido de 158,4 mil milhões de kwanzas, reforçando igualmente o saldo positivo das contas públicas.
O relatório destaca, contudo, que uma parte significativa destes lucros não teve origem directa na actividade operacional das duas empresas. No caso da Sonangol, 53% do lucro resultou dos ganhos obtidos através das suas participações na Angola LNG, Millennium BCP e Galp, que contribuíram com 459,4 mil milhões de kwanzas. Já na Unitel, o crescimento de 59% dos lucros foi impulsionado sobretudo pela alienação de 15% da participação no Banco de Fomento Angola (BFA) e pelos dividendos recebidos daquela instituição financeira.
Quando a análise exclui o sector extractivo, dominado pela Sonangol e pela Endiama, o cenário altera-se significativamente. Pela primeira vez, o Sector Empresarial Público apresentou um lucro líquido de 57,4 mil milhões de kwanzas, resultado sustentado principalmente pelo desempenho da Unitel e de outras empresas fora da indústria petrolífera.
Entre os sectores de actividade, o extractivo liderou os resultados com 891,6 mil milhões de kwanzas de lucro, seguindo-se as comunicações, com 159,9 mil milhões, a electricidade, com 34,6 mil milhões, e o comércio, com 8,3 mil milhões de kwanzas. Em sentido inverso, os sectores da construção, educação e outras actividades acumularam prejuízos superiores a 220 mil milhões de kwanzas.
Os indicadores de rentabilidade revelam uma evolução moderada. A rendibilidade dos activos (ROA) aumentou para 2,0%, enquanto a rendibilidade dos capitais próprios (ROE) recuou para 5,3%. No mesmo período, os activos agregados do Sector Empresarial Público cresceram 21%, para 47,9 biliões de kwanzas, e os capitais próprios aumentaram 23%, atingindo 17,9 biliões de kwanzas.
O relatório também evidencia desafios ao nível da governação. Onze empresas públicas tiveram as suas contas rejeitadas pelos auditores, o que mantém sob escrutínio a qualidade da gestão financeira de uma parte significativa do universo empresarial do Estado.
Os dados mostram que o equilíbrio financeiro do Sector Empresarial Público continua fortemente dependente da Sonangol e da Unitel, enquanto uma parte significativa das restantes empresas públicas permanece incapaz de gerar resultados positivos de forma sustentável.





