Quatro dos seis bancos sistémicos ficam fora do arranque do kwanza no sistema de pagamentos da SADC

Data:

BAI e BIC figuram entre os cinco aderentes iniciais; BFA, BPC, Standard Bank e Banco Millennium Atlântico não integram a lista. Banco central sublinha que a adesão é aberta e que qualquer instituição que o pretenda poderá aderir

Quatro dos seis bancos angolanos classificados como sistémicos pelo banco central não figuram entre os cinco aderentes iniciais ao sistema de pagamentos da SADC.

A integração do kwanza no Sistema de Liquidação a Bruto em Tempo Real da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral foi formalizada a 27 de Julho pelo governador do Banco Nacional de Angola, Manuel Tiago Dias, e pelo governador do Banco de Reserva da África do Sul, Lesetja Kganyago, que preside ao Comité de Governadores dos Bancos Centrais da região. A moeda angolana torna-se a segunda admitida no sistema, criado em 2013 e até agora operado exclusivamente em rand sul-africano, com a participação de 15 países. Foram aceites como participantes cinco bancos comerciais angolanos: o Banco Angolano de Investimentos, o Banco Internacional de Crédito, o Banco de Negócios Internacional, o Banco Crédito Sul e o Banco Yetu.

O confronto com a lista de instituições de importância sistémica revela uma adesão parcial do núcleo do sistema bancário nacional. Em Dezembro de 2025, o Banco Nacional de Angola identificou seis bancos de importância sistémica doméstica, sujeitos a reservas adicionais de capital a partir de Janeiro de 2026: o Banco de Fomento Angola, o Banco Angolano de Investimentos, o Banco Millennium Atlântico, o Banco Internacional de Crédito, o Standard Bank Angola e o Banco de Poupança e Crédito. Destes, apenas dois — o BAI e o BIC — constam da lista de aderentes ao sistema regional. Ficam de fora, neste arranque, o BFA, o Banco Millennium Atlântico, o Standard Bank Angola e o Banco de Poupança e Crédito.

A ausência não configura, contudo, uma exclusão. O próprio governador do banco central sublinhou que a participação está aberta a todo o sector, afirmando que “o banco comercial que quiser aderir ao sistema poderá fazê-lo”. As empresas que pretendam utilizar o mecanismo terão de recorrer a um banco aderente, que ordenará a operação ao seu correspondente na região. Nem o regulador nem as instituições em causa divulgaram publicamente as razões pelas quais quatro dos seis bancos sistémicos não integram este primeiro grupo, os critérios técnicos exigidos para a adesão ou o calendário previsto para as restantes instituições.

A composição do grupo inicial sugere ainda que não existe correspondência linear entre dimensão sistémica e adesão. O Banco de Negócios Internacional figurava na lista de instituições de importância sistémica designada em Novembro de 2024, deixou de constar do conjunto de seis definido em Dezembro de 2025 e encontra-se, ainda assim, entre os aderentes ao sistema regional.

Quanto ao alcance da medida, importa precisão. O que a integração elimina é a necessidade de converter operações através de moedas externas ao espaço regional e a dependência de bancos correspondentes estrangeiros, mecanismo que encarecia e atrasava o comércio transfronteiriço, penalizando sobretudo empresas angolanas que operam com a Namíbia, a Zâmbia, a República Democrática do Congo e a África do Sul. Não se trata do fim de toda a intermediação bancária: a operação continua a passar por um banco aderente e pelo respectivo correspondente na região.

Sobre o impacto nas contas externas, a directora do Departamento do Sistema de Pagamentos do banco central, Cristina Caniço, assegurou em conferência de imprensa que a integração não representa ameaça às reservas internacionais. Sustentou que as operações realizadas no sistema regional se mantêm as mesmas, alterando-se apenas a moeda de liquidação, que passa a ser o kwanza em vez do rand ou de outra divisa externa à comunidade, e admitiu que o aumento da procura regional pela moeda nacional pode contribuir para uma utilização mais eficiente das disponibilidades em divisas.

Segundo o banco central, a capacidade multimoeda constitui uma das iniciativas estratégicas para reforçar a integração financeira regional e reduzir a dependência de moedas externas à comunidade. O plano prevê a inclusão progressiva de outras divisas, encontrando-se a pula do Botswana em fase avançada de integração.

SADC-RTGS

O Sistema de Liquidação a Bruto em Tempo Real da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral foi criado em 2013 para liquidar transferências transfronteiriças em tempo real entre instituições da região. Conta com a participação de 15 países e operou até agora exclusivamente em rand sul-africano. A integração do kwanza foi anunciada pelo governador do BNA em Maio, na quarta edição do Angola Banking Conference, e dada como tecnicamente concluída a 14 de Julho, no final da 103.ª reunião do Comité de Política Monetária, em Malanje. A próxima reunião do comité está marcada para Setembro, em Luanda.

spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img
spot_img

Partilhe com amigos:

Notícias no E-Mail

spot_img

Popular

Artigos relacionados
Artigos relacionados

Pelo menos 17 migrantes são dados como mortos após travessia para as Baleares

Sobreviventes relataram que embarcação permaneceu 15 dias à deriva...

Incerteza nas negociações entre EUA e Irão mantém tensão no Estreito de Ormuz

Declarações contraditórias sobre contactos diplomáticos surgem após navio ser...

Google separa tráfego de IA no Search Console, mas omite dados de cliques

Nova funcionalidade distingue visitas provenientes de experiências de pesquisa...

Spotify fecha acordo com Merlin para expandir remisturas musicais criadas por IA

Parceria permitirá que editoras independentes adiram voluntariamente à nova...