Conferência executiva realizada na data exacta do aniversário apresentou a assinatura «Pelo futuro dos pagamentos» e um novo posicionamento estratégico
A EMIS apresentou uma nova identidade institucional ao completar 25 anos, com a qual pretende afirmar-se para além da associação histórica ao cartão MULTICAIXA.
A Empresa Interbancária de Serviços marcou a efeméride com uma conferência executiva realizada na segunda-feira, 27 de Julho, no Hotel Epic Sana, em Luanda — data em que a sociedade completou exactamente um quarto de século, tendo sido constituída a 27 de Julho de 2001 por iniciativa do Banco Nacional de Angola e dos bancos comerciais. A marca renovada adopta a assinatura «Pelo futuro dos pagamentos» e será implementada de forma gradual, acompanhando a actualização progressiva das plataformas, materiais e soluções da empresa.
Segundo a EMIS, a mudança traduz mais do que uma alteração visual. A empresa pretende reforçar a percepção do seu papel enquanto infra-estrutura que liga instituições financeiras, Estado, empresas e cidadãos, afirmando a sua neutralidade e uma função federadora no ecossistema de pagamentos. O novo propósito assenta em cinco princípios orientadores: juntar e avançar, servir todos por igual, garantir que o sistema não pára, preparar o futuro e desenvolver soluções angolanas pensadas para Angola.
A nota distribuída à imprensa não avança qualquer indicador de actividade. Os dados divulgados pela própria empresa dão, contudo, a dimensão do sistema que opera. Em 2025, a Rede MULTICAIXA movimentou mais de 69 biliões de kwanzas. O canal MULTICAIXA Express respondeu por cerca de 62 por cento de todas as operações da rede, com mais de 2,1 mil milhões de transacções e 19,7 biliões de kwanzas processados. No ano anterior, a rede ultrapassara pela primeira vez a fasquia dos dois mil milhões de transacções anuais, com registos de 12,1 milhões de operações num único dia e perto de 270 milhões num único mês.
O crescimento mais expressivo coube ao sistema de transferências instantâneas. O KWiK registou em 2025 um aumento superior a 1.000 por cento no número de operações, totalizando perto de 35 milhões de transferências, no melhor ano desde o seu lançamento. É precisamente esta solução, aberta a operadores bancários e não bancários, que sustenta a ambição de a empresa se afirmar para lá do cartão que lhe deu notoriedade.
O presidente da comissão executiva, Duano Silva, fez uma retrospectiva do percurso da instituição e sustentou que a empresa ajudou a criar “uma infra-estrutura confiável que se consolidou como um importante pilar no sistema financeiro e ocupou o seu espaço com a necessária neutralidade para garantir a solidez de uma infra-estrutura de mercado crítica e sistémica”. Para os próximos 25 anos, afirmou, a EMIS reforçará o compromisso com a transformação digital, a inovação, a sustentabilidade e a massificação dos pagamentos electrónicos.
Em declarações no mesmo encontro, citadas pela imprensa especializada, o gestor foi mais longe no reconhecimento das limitações do sistema, observando que “ainda falta muito por fazer em prol dos sistemas de pagamentos electrónicos mais inclusivos” e apontando a cibersegurança, a literacia financeira e a expansão dos serviços como desafios da próxima etapa.
Na abertura da conferência, a Vice-Governadora do Banco Nacional de Angola, Maria Pereira, reconheceu o papel da EMIS na modernização do sistema financeiro angolano e na consolidação da confiança de cidadãos e empresas nos meios electrónicos, tendo reafirmado o compromisso do banco central com o aprofundamento da interoperabilidade entre os diferentes sistemas interbancários. O encontro reuniu representantes do regulador, bancos comerciais, instituições financeiras, parceiros e especialistas nacionais e internacionais, incluindo participantes de Cabo Verde, Portugal e Moçambique, em torno da construção de ecossistemas de pagamentos e da integração dos sistemas africanos.
Permanecem por divulgar o custo associado à mudança de identidade, o calendário da transição e a actual repartição do capital social da empresa entre o banco central e as instituições bancárias que a constituíram.





