Investidores particulares transaccionaram 109,50 mil milhões de kwanzas no segundo trimestre, contra 1.655,21 mil milhões das empresas e instituições
Os investidores particulares representaram 84,85 por cento das transacções realizadas na BODIVA no segundo trimestre de 2026 e movimentaram 6,21 por cento do valor negociado.
Os dados constam da apresentação sobre o desempenho do mercado de capitais no segundo trimestre de 2026, divulgada aos jornalistas pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC). Segundo o regulador, os particulares mantiveram-se como a tipologia de investidor com maior participação nas transacções realizadas, com 84,85 por cento do total, cabendo às empresas e instituições os restantes 15,15 por cento.
A distribuição inverte-se quando se olha para o dinheiro. Das 1.764,71 mil milhões de kwanzas transaccionadas no trimestre, as empresas e instituições movimentaram 1.655,21 mil milhões, ou 93,80 por cento do total. Aos particulares coube um valor de 109,50 mil milhões de kwanzas.
O contraste acentuou-se face ao ano anterior. No segundo trimestre de 2025, os particulares representavam 88,0 por cento das transacções e as empresas e instituições 12,0 por cento; em valor, os particulares movimentavam 110,89 mil milhões de kwanzas, equivalentes a 10,47 por cento do total negociado nesse trimestre. A sua quota no valor transaccionado caiu, assim, 4,27 pontos percentuais em doze meses.
O movimento resulta de duas evoluções de sinal contrário. O volume movimentado pelos particulares diminuiu 1,25 por cento em termos homólogos, em valores nominais e sem correcção pela inflação. No mesmo período, o volume das empresas e instituições aumentou 74,59 por cento. Todo o crescimento de 66,65 por cento registado pelo mercado no trimestre é, portanto, atribuível ao segmento institucional.
Os dados são conhecidos depois de um ano de forte alargamento da base de investidores. Segundo a BODIVA, foram abertas em 2025 um total de 12.931 contas de registo individualizado, contra 7.622 no ano anterior, um aumento de 69,65 por cento. No final de Dezembro de 2025, a Central de Custódia de Valores Mobiliários de Angola contava 47.778 contas activas, mais 36,30 por cento do que as 35.053 registadas doze meses antes. A própria BODIVA atribui o pico de aberturas do terceiro trimestre ao processo da Oferta Pública de Venda das acções do Banco de Fomento Angola, em que participaram mais de oito mil investidores e que captou cerca de 242 milhões de dólares para os oferentes.
Entre o final do segundo trimestre de 2025 e o final desse ano, o número de contas activas passou de 38.364 para 47.778, um crescimento de 24,54 por cento em seis meses. As contas de particulares e outras pessoas singulares representavam 84,53 por cento do total das contas em custódia.
A composição da negociação ajuda a enquadrar a distância entre o número de participantes e o valor que movimentam. No segundo trimestre de 2026, as Obrigações do Tesouro Não Reajustáveis representaram 77,55 por cento do volume transaccionado e as Obrigações do Tesouro em moeda externa 17,06 por cento. As acções, o instrumento que motivou a entrada da maior parte dos novos investidores, representaram 0,70 por cento, o equivalente a cerca de 12,35 mil milhões de kwanzas. O mercado permanece, no essencial, um mercado de dívida pública negociada entre instituições financeiras.
A apresentação da CMC não desagrega o valor movimentado por tipologia de investidor e por instrumento, nem indica o número de contas activas no trimestre em análise.





