Mercado transaccionou 1.764,71 mil milhões de kwanzas entre Abril e Junho, contra 2.874,74 mil milhões no primeiro trimestre. Apresentação da Comissão do Mercado de Capitais destaca crescimento homólogo de 66,65 por cento e não refere a comparação com o trimestre anterior
O volume negociado na BODIVA caiu 38,61 por cento no segundo trimestre de 2026 face aos primeiros três meses do ano, para 1.764,71 mil milhões de kwanzas.
Os dados constam da apresentação sobre o desempenho do mercado de capitais no segundo trimestre de 2026, divulgada aos jornalistas pelo Departamento de Estudos, Estratégia, Desenvolvimento e Comunicação da Comissão do Mercado de Capitais (CMC). O documento apresenta o período em termos de crescimento: assinala que o volume subiu 66,65 por cento face ao segundo trimestre de 2025 e que o número de negócios aumentou 96,71 por cento, para 13.406 operações. Em nenhum ponto compara os resultados com o trimestre imediatamente anterior, ainda que o gráfico publicado inclua a série completa dos últimos cinco trimestres.
Nessa série, o primeiro trimestre de 2026 destaca-se como o segundo maior de que há registo na bolsa angolana, com 2.874,74 mil milhões de kwanzas transaccionados, atrás apenas do terceiro trimestre de 2023, quando foram movimentados 3.786,27 mil milhões. A queda de 1.110,03 mil milhões verificada no trimestre seguinte devolveu o mercado a um patamar próximo do do segundo semestre de 2025: os 1.764,71 mil milhões do segundo trimestre de 2026 superam em 1,22 por cento o quarto trimestre de 2025 e em 7,97 por cento o terceiro.
O contraste entre volume e actividade é o elemento mais relevante do período. Enquanto o montante transaccionado recuou, o número de negócios subiu 19,78 por cento, de 11.192 para 13.406 operações. A conjugação dos dois movimentos reduziu o valor médio por negócio de 256,86 milhões para 131,64 milhões de kwanzas, uma contracção de 48,75 por cento em três meses. No segundo trimestre de 2025 esse valor médio situava-se em 155,38 milhões de kwanzas, acima do registado agora.
A explicação para a quebra concentra-se no Mercado de Operações de Reporte (MOR), o segmento onde as instituições financeiras fazem a gestão de tesouraria de curto prazo. No segundo trimestre de 2026, o MOR movimentou 591,81 mil milhões de kwanzas, o equivalente a 33,54 por cento do total negociado. No primeiro trimestre, segundo dados atribuídos ao Banco Angolano de Investimentos e citados pela imprensa especializada, o mesmo segmento movimentara cerca de 1.784 mil milhões de kwanzas, ou 62,06 por cento do total. A redução do MOR entre os dois trimestres, de aproximadamente 1.192 mil milhões de kwanzas, é superior à própria queda do mercado, o que significa que os restantes segmentos cresceram no período.
Foi o que sucedeu com o Mercado de Registo de Operações sobre Valores (MROV), que passou a ser o maior segmento da praça, com 760,61 mil milhões de kwanzas e 43,10 por cento do total, mais do que duplicando face aos 376,86 mil milhões do período homólogo. O mercado de bolsa de títulos do tesouro (MBTT) transaccionou 401,98 mil milhões, contra 198,28 mil milhões um ano antes, e o mercado de bolsa de obrigações privadas manteve-se residual, com 0,36 mil milhões de kwanzas, ou 0,02 por cento do volume total. Os valores destes dois últimos segmentos referentes ao segundo trimestre de 2025 aparecem trocados entre si na apresentação da CMC e na série estatística publicada pelo mesmo regulador; este artigo utiliza os da série estatística.
Por tipologia de instrumento, as Obrigações do Tesouro Não Reajustáveis representaram 77,55 por cento do volume, contra 55,17 por cento no segundo trimestre de 2025. As Obrigações do Tesouro em moeda externa reduziram o seu peso de 42,00 para 17,06 por cento, o que corresponde a uma diminuição de cerca de 32 por cento em valor absoluto, num trimestre em que o mercado cresceu em termos homólogos. Os Bilhetes do Tesouro subiram de 2,65 para 4,64 por cento e as acções de 0,13 para 0,70 por cento.
Em termos semestrais, o mercado mantém uma expansão expressiva. Os 4.639,45 mil milhões de kwanzas transaccionados no primeiro semestre de 2026 comparam com 2.348,65 mil milhões no período homólogo, um crescimento de 97,54 por cento. Segundo apuramento da imprensa especializada com base no painel de dados da BODIVA, o montante acumulado até ao final de Julho situava-se em cerca de 5,73 biliões de kwanzas, praticamente o total transaccionado ao longo de todo o exercício de 2025.
A concentração da actividade mantém-se elevada. As empresas e instituições movimentaram 1.655,21 mil milhões de kwanzas no trimestre, contra 109,50 mil milhões dos particulares, apesar de estes representarem, segundo a CMC, 84,85 por cento da participação nas transacções realizadas. O volume atribuído aos particulares diminuiu 1,25 por cento em termos homólogos, enquanto o das empresas e instituições aumentou 74,59 por cento.
A apresentação da CMC não avança explicações para a evolução do volume face ao trimestre anterior nem desagrega o primeiro trimestre de 2026 por segmento de mercado





