Projecto PhotoScan apresenta margem de erro de cerca de dois pontos percentuais face ao exame DXA
Tecnologia poderá facilitar o acompanhamento da composição corporal, mas levanta questões relacionadas com privacidade
A divisão de investigação da Google está a testar o PhotoScan, um sistema de inteligência artificial (IA) concebido para estimar a composição corporal através de fotografias captadas pela câmara de um telemóvel. O projecto procura reproduzir, através de imagens, algumas das métricas normalmente obtidas com equipamentos médicos especializados.
O sistema foi treinado inicialmente com mais de 35.000 registos de saúde do UK Biobank e posteriormente aperfeiçoado através de imagens de smartphones e exames médicos realizados em 677 adultos. Nos testes divulgados, as estimativas de gordura corporal ficaram a cerca de dois pontos percentuais dos resultados obtidos através do DXA, método clínico utilizado como referência para avaliação da composição corporal.
A comparação apresentada pela investigação coloca o PhotoScan à frente da bioimpedância (BIA) em determinados parâmetros. Segundo os dados divulgados pelo TugaTech, as medições realizadas através de BIA apresentaram um desvio de quase três pontos percentuais em relação aos exames de referência.
A tecnologia procura ir além da simples estimativa do percentual de gordura. O modelo analisa também a distribuição da gordura corporal, incluindo indicadores como os rácios A/G e V/S, que podem fornecer informação adicional sobre a composição corporal e determinados factores metabólicos.
Ao combinar as características observadas nas fotografias com informações básicas do utilizador, como idade e peso, o sistema conseguiu também apresentar uma previsão da resistência à insulina próxima dos resultados obtidos através de métodos clínicos, segundo os testes divulgados.
A eventual utilização desta tecnologia em larga escala poderá reduzir a dependência de equipamentos específicos para determinadas avaliações de composição corporal. Um smartphone poderia funcionar como instrumento de recolha de imagens, permitindo realizar estimativas sem a necessidade de deslocação a uma clínica ou laboratório.
A tecnologia apresenta, contudo, limitações. Uma estimativa obtida a partir de uma fotografia não deve ser confundida com uma medição clínica definitiva, sobretudo quando os resultados são utilizados para diagnóstico ou acompanhamento de doenças.
A privacidade constitui outro dos principais desafios. Fotografias do corpo são dados potencialmente sensíveis, e uma eventual aplicação comercial teria de estabelecer mecanismos rigorosos para proteger as imagens, controlar o seu armazenamento e limitar o acesso aos dados recolhidos.
Por enquanto, o PhotoScan permanece um projecto de investigação. A Google não anunciou planos oficiais para transformar a tecnologia numa aplicação pública ou integrá-la nos equipamentos Pixel.
A evolução do projecto poderá, no entanto, contribuir para uma nova geração de ferramentas de acompanhamento físico baseadas em visão computacional. Se a precisão demonstrada nos testes puder ser mantida em populações mais amplas e em condições reais de utilização, a tecnologia poderá tornar avaliações de composição corporal mais acessíveis.
O PhotoScan demonstra o potencial da IA para transformar fotografias comuns em estimativas de métricas corporais, mas a precisão, a validação clínica e a protecção dos dados pessoais serão determinantes antes de uma eventual utilização comercial.





