Valor líquido global dos fundos de investimento mobiliário passou de 120,13 para 606,45 mil milhões de kwanzas entre o segundo trimestre de 2025 e o de 2026. Fundos imobiliários continuam a liderar, com 55,79 por cento do activo da indústria, mas cresceram menos de nove por cento no período
O valor líquido global dos fundos de investimento mobiliário angolanos passou de 120,13 para 606,45 mil milhões de kwanzas em doze meses, um crescimento de 404,83 por cento.
Os dados constam da apresentação sobre o desempenho do mercado de capitais no segundo trimestre de 2026, divulgada aos jornalistas pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC). No conjunto, o valor líquido global da indústria de organismos de investimento colectivo situou-se em 1.907,24 mil milhões de kwanzas no final do trimestre, mais 56,94 por cento do que no período homólogo e mais 16,68 por cento do que no trimestre anterior.
O crescimento não foi distribuído de forma uniforme. Os fundos de investimento mobiliário (FIM) multiplicaram o seu valor líquido global por cinco e os fundos de capital de risco (FCR) por catorze, passando de 9,37 para 133,03 mil milhões de kwanzas. Já os fundos de investimento imobiliário (FII), que continuam a ser a maior tipologia da indústria, cresceram 8,77 por cento, de 975,24 para 1.060,79 mil milhões. As sociedades de investimento imobiliário registaram uma redução de 3,21 por cento, para 107,09 mil milhões.
A consequência é uma alteração da estrutura da indústria. No activo total dos organismos de investimento colectivo, os FII passaram de 78,47 para 55,79 por cento, uma redução de 22,68 pontos percentuais. No mesmo período, os FIM subiram de 9,18 para 30,07 por cento, um acréscimo de 20,89 pontos, e os FCR de 0,72 para 6,58 por cento, mais 5,86 pontos. As sociedades de investimento imobiliário recuaram de 11,63 para 7,56 por cento.
Os fundos imobiliários mantêm a liderança, mas deixaram de deter a maioria esmagadora que detinham há um ano. A CMC descreve esta evolução como uma consolidação da indústria, hoje menos dependente de uma única tipologia e com repartição mais equilibrada do activo entre os segmentos mobiliário e de capital de risco.
O movimento acompanhou a multiplicação do número de veículos. No final do segundo trimestre de 2026 estavam registados 66 organismos de investimento colectivo, dos quais 37 fundos de investimento mobiliário, 14 fundos de investimento imobiliário, 10 fundos de capital de risco, três sociedades de investimento imobiliário, uma sociedade de capital de risco e um fundo especial de investimento em titularização. No período homólogo, segundo o mesmo documento, existiam 20 fundos mobiliários e nenhum fundo de titularização registado.
A expansão dos FIM vinha já documentada. Segundo dados da CMC relativos ao período entre Janeiro e Novembro de 2025, citados pela Standard Gestão de Activos em publicação da BODIVA, o montante sob gestão dos fundos mobiliários passou de 128 para 215 mil milhões de kwanzas, o número de fundos de 20 para 31 e o número de sociedades gestoras com FIM de três para sete. No mesmo período, o peso destes fundos nas negociações da BODIVA subiu de 2,1 para 11,1 por cento.
A dimensão da base de investidores mantém-se, contudo, reduzida e muito desigual entre tipologias. No final do segundo trimestre de 2026, os fundos mobiliários contavam 5.726 participantes e os fundos imobiliários 379, num total de 6.204 participantes em toda a indústria, incluindo 83 nos fundos de capital de risco, 11 nas sociedades de investimento imobiliário e cinco na sociedade de capital de risco. Da divisão do valor líquido global pelo número de participantes de cada tipologia resulta uma média de 105,91 milhões de kwanzas por participante nos fundos mobiliários e de 2.798,92 milhões nos fundos imobiliários, uma diferença de mais de vinte e seis vezes.





