Trump quer novo encontro com Kim Jong Un, mas Coreia do Norte mantém cautela

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Washington procura reactivar a diplomacia com Pyongyang depois de reduzir exercícios militares com a Coreia do Sul
Regime norte-coreano exige mudanças na política norte-americana e reafirma o estatuto nuclear como questão central

O Presidente norte-americano Donald Trump manifestou interesse em realizar um novo encontro com o líder norte-coreano Kim Jong Un ainda este ano, mas Pyongyang respondeu com cautela e deixou claro que uma boa relação pessoal entre os dois líderes não será suficiente para retomar as negociações.

A tentativa de reaproximação ocorre depois de Trump ter ordenado a redução dos exercícios militares conjuntos entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul. O Presidente norte-americano considerou que os exercícios transmitiam uma mensagem hostil a Pyongyang, numa tentativa de criar melhores condições para um eventual diálogo.

A Coreia do Norte, contudo, não interpretou a redução dos exercícios como uma mudança suficiente. Kim Yo Jong, irmã de Kim Jong Un e uma das principais figuras da liderança norte-coreana, criticou a continuação das actividades militares e afirmou que os interesses estratégicos e de segurança do país não serão comprometidos por uma relação pessoal entre os dois líderes.

Pyongyang também colocou como condição para uma eventual retoma das negociações mudanças mais profundas na política de Washington. Entre as exigências está o abandono do que considera uma política hostil e o reconhecimento da Coreia do Norte como Estado nuclear, posição que cria um obstáculo significativo para qualquer acordo com os Estados Unidos.

A posição norte-coreana contrasta com a confiança demonstrada por Trump na possibilidade de voltar a encontrar-se com Kim. O Presidente norte-americano já afirmou que pretende reunir-se com o líder de Pyongyang, possivelmente durante uma futura deslocação à Ásia.

A possibilidade de um encontro em Novembro, durante a cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), em Shenzhen, na China, chegou a ser apontada como uma hipótese. No entanto, a realização da reunião dependerá de Pyongyang aceitar retomar contactos e das condições que Washington estiver disposto a discutir.

A questão nuclear continua a ser o principal obstáculo. A Coreia do Norte procura consolidar o reconhecimento do seu arsenal nuclear, enquanto Washington tem historicamente defendido a eliminação das armas nucleares norte-coreanas como objectivo das negociações.

O contexto militar também permanece tenso. Pouco depois das declarações de Kim Yo Jong, a Coreia do Norte lançou cerca de 10 mísseis balísticos de curto alcance para o mar, num gesto interpretado como demonstração de força e protesto contra os exercícios militares.

Para Seul, a tentativa de aproximação entre Washington e Pyongyang apresenta oportunidades e riscos. O Governo sul-coreano tem defendido o diálogo para reduzir as tensões na Península Coreana, mas também procura preservar a capacidade de defesa proporcionada pela aliança militar com os Estados Unidos.

A diplomacia norte-americana enfrenta ainda o desafio de lidar com uma Coreia do Norte que reforçou as suas capacidades militares e aprofundou relações com outros parceiros internacionais. Pyongyang dispõe actualmente de maior margem de negociação do que durante as primeiras cimeiras entre Trump e Kim.

Apesar da resposta cautelosa, a Coreia do Norte não fechou completamente a possibilidade de diálogo. A estratégia de Pyongyang parece combinar rejeição das actuais condições norte-americanas com a tentativa de estabelecer uma posição negocial mais favorável antes de qualquer eventual regresso à mesa das negociações.

A possível reactivação do diálogo entre Trump e Kim Jong Un depende agora de uma alteração das posições de ambos os lados, sobretudo em torno do estatuto nuclear da Coreia do Norte, dos exercícios militares e das sanções impostas por Washington.

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