Washington prepara novas sanções contra Teerão e exige que aliados e outros países cortem apoios financeiros e comerciais ao Irão
Medidas poderão aumentar a pressão sobre o mercado petrolífero e agravar as tensões económicas entre Estados Unidos, China e países do Golfo
Os Estados Unidos vão impor ao Irão o que o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, classificou como as sanções económicas mais severas da história, um dia depois de o Presidente Donald Trump ter ameaçado aplicar consequências económicas a qualquer país que mantenha uma “linha de vida” com Teerão.
Bessent afirmou que a estratégia norte-americana privilegiará a pressão económica, indicando que esta abordagem poderá reduzir a necessidade de uma nova grande operação militar contra o Irão. O responsável deverá apresentar mais detalhes sobre as medidas numa conferência de imprensa na segunda-feira.
A ameaça de Washington surge no contexto de uma guerra com quase seis meses de duração, que já provocou milhares de mortes e afectou o transporte de petróleo no Médio Oriente. O Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente antes de Fevereiro, tornou-se um dos principais pontos de tensão do conflito.
As declarações norte-americanas tiveram impacto imediato nos mercados. Os preços do petróleo subiram na quinta-feira para máximos de mais de três semanas, reflectindo os receios de que novas sanções ou uma escalada do conflito possam afectar ainda mais o fornecimento energético proveniente do Médio Oriente.
Trump afirmou que qualquer país cujas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais forneçam algum tipo de apoio ao Irão enfrentará “tremendas consequências económicas”. O Presidente norte-americano, contudo, não especificou quais os países que poderão ser alvo das medidas nem detalhou como a ameaça será aplicada.
A China surge entre os países potencialmente mais expostos. Segundo dados da Kpler citados pela Reuters, a China comprou mais de 80% do petróleo iraniano exportado por via marítima em 2025, tornando-se um importante comprador da produção de Teerão.
Bessent apelou directamente a Pequim para cooperar com Washington, argumentando que a China depende fortemente da energia proveniente do Golfo. Uma aplicação agressiva das sanções contra empresas chinesas, porém, poderá abrir uma nova frente de tensão económica entre Washington e Pequim, sobretudo devido à importância das exportações chinesas para os Estados Unidos.
Do lado iraniano, o Ministério dos Negócios Estrangeiros classificou as novas sanções norte-americanas como “terrorismo económico”. Teerão acusa Washington de adoptar medidas que atingirão principalmente a população iraniana e considera que a política norte-americana ameaça também a economia mundial e a soberania de outros países.
As novas medidas ocorrem depois de dois acordos de cessar-fogo anunciados pelos Estados Unidos e pelo Irão, em Abril e Junho, que procuravam restabelecer a circulação marítima no Estreito de Ormuz e criar condições para pôr fim ao conflito. Ambos os acordos acabaram por fracassar.
Paralelamente, o Irão tem negociado com Omã um acordo para a gestão e segurança do Estreito de Ormuz. O ministro dos Negócios Estrangeiros omanita, Badr Albusaidi, defendeu que uma segurança duradoura no estreito exige uma solução permanente para o conflito regional e rejeitou uma nova escalada militar.
A estratégia de Washington representa uma tentativa de aumentar a pressão sobre Teerão sem necessariamente recorrer a uma nova ofensiva militar de grande escala. O resultado dependerá, em grande medida, da capacidade dos Estados Unidos para limitar os canais comerciais e financeiros do Irão e da disposição de países como a China para cumprir ou contornar as novas restrições.
O endurecimento das sanções aumenta a pressão económica sobre o Irão e poderá afectar os mercados energéticos, sobretudo se a aplicação das medidas atingir compradores importantes do petróleo iraniano e dificultar a circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz.





