Mulemba RE inicia actividade e quer levar o resseguro angolano à região

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Primeira resseguradora nacional arranca com 15 mil milhões de kwanzas de capital, detidos por 12 seguradoras e pelo Fundo Soberano de Angola. Companhia assume riscos que até agora saíam para resseguradores internacionais e prevê expansão para outros mercados africanos numa segunda fase

A Mulemba RE — Companhia Angolana de Resseguros iniciou esta terça-feira a actividade comercial, tornando-se a primeira resseguradora nacional em funcionamento no país.

A companhia nasce para assumir uma função até agora desempenhada, em larga medida, por resseguradores internacionais: dar cobertura aos riscos das seguradoras que operam em Angola. Ao criar capacidade local de resseguro, o mercado passa a poder reter uma parcela maior do valor gerado dentro da economia nacional, complementando a capacidade disponibilizada pelos grandes operadores estrangeiros.

O capital social é de 15 mil milhões de kwanzas, o mínimo exigido pela Lei n.º 18/22, de 7 de Julho, que regula a actividade seguradora e resseguradora, tendo os accionistas indicado que o valor será reforçado a curto e médio prazo. A estrutura accionista reúne 13 participantes: doze seguradoras angolanas detêm 80 por cento do capital — ENSA, Nossa Seguros, Fortaleza, BIC Seguros, Fidelidade Angola, Sanlam Allianz, Viva Seguros, Mundial, Unisaúde, Aliança, STAS e Tranquilidade Angola — e o Fundo Soberano de Angola os restantes 20 por cento.

O presidente do conselho de administração, Carlos Duarte, considera que a companhia preenche uma lacuna estrutural do mercado. Segundo o responsável, Angola dispõe finalmente de “uma peça fundamental que faltava no seu mercado segurador”, num projecto que classifica como ambicioso mas necessário e que resulta da conjugação de esforços públicos e privados. A comissão executiva é presidida por Paulo Bracons, antigo responsável máximo da Fortaleza e da seguradora do grupo Sanlam em Angola.

Para além da retenção de prémios, a companhia apresenta-se como plataforma de desenvolvimento de competências técnicas em áreas como actuariado, modelação de riscos, tarifação e gestão de grandes sinistros. Numa fase posterior, prevê alargar a operação a outros mercados da região.

A constituição da Mulemba RE em cartório notarial ocorreu a 22 de Abril, há 132 dias, encerrando um processo com cerca de 15 anos, iniciado quando Aguinaldo Jaime presidia à ARSEG e marcado por sucessivos adiamentos, reformulações e mudanças de designação. O licenciamento foi concluído em Julho, com a entrega do Certificado de Registo Especial pela presidente do conselho de administração da ARSEG, Filomena Airosa Manjata. A companhia entra num mercado onde já operam resseguradores africanos com escala consolidada, sendo o principal a Africa Re, sediada em Lagos.

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