Projecto pretende criar capacidade nacional para transformar ouro bruto e acrescentar valor à produção mineira
Refinaria poderá reforçar a cadeia de valor do sector e reduzir a necessidade de enviar o metal para processamento no exterior
Angola deverá colocar em funcionamento, até ao final de 2026, a sua primeira refinaria de ouro, criando capacidade nacional para o processamento e transformação do metal produzido no país. O projecto representa uma nova etapa na estratégia de desenvolvimento da indústria mineira e de aumento do valor acrescentado gerado internamente.
A entrada em funcionamento da refinaria permitirá realizar em território nacional uma etapa que, em mercados com maior capacidade industrial, integra a cadeia de transformação do ouro. O processamento local poderá reduzir a dependência de infra-estruturas estrangeiras e criar condições para desenvolver competências técnicas associadas à actividade.
A iniciativa enquadra-se nos esforços de diversificação da economia angolana, que procuram aumentar o peso de actividades não petrolíferas na geração de riqueza e receitas. O sector mineiro tem sido apontado como uma das áreas com potencial para contribuir para esse processo.
A existência de uma refinaria também poderá melhorar o controlo sobre a cadeia de comercialização do ouro. O processamento em instalações nacionais pode facilitar a verificação da origem e qualidade do metal, bem como o acompanhamento dos volumes efectivamente produzidos e comercializados.
Para os produtores, a criação de capacidade local de refinação poderá reduzir alguns custos associados ao transporte e processamento do ouro no exterior. O impacto dependerá, contudo, da capacidade da unidade, dos custos operacionais e do volume de produção disponível para alimentar a refinaria.
O projecto poderá ainda criar oportunidades para empresas nacionais ligadas à mineração, logística, segurança, manutenção e prestação de serviços especializados. A formação de técnicos e trabalhadores para operar a unidade será outro elemento importante para garantir a sustentabilidade da actividade.
A expansão da produção de ouro será determinante para a viabilidade económica da refinaria. Uma unidade de processamento necessita de uma oferta regular de matéria-prima para funcionar de forma eficiente, tornando o aumento da produção mineira uma componente complementar ao investimento industrial.
O desenvolvimento da cadeia do ouro poderá também contribuir para formalizar parte da actividade mineira. Um circuito de comercialização mais estruturado, associado a mecanismos de fiscalização e rastreabilidade, pode ajudar a reduzir a circulação informal do metal e aumentar a transparência do mercado.
A entrada em funcionamento até ao final do ano ainda dependerá da conclusão das fases técnicas e operacionais necessárias. A capacidade efectiva da refinaria e o volume de ouro que conseguirá processar serão indicadores importantes para avaliar o impacto económico do projecto.
A primeira refinaria de ouro de Angola poderá representar um passo relevante na industrialização do sector mineiro, ao transferir para o país uma etapa da cadeia de valor e criar condições para aumentar o valor acrescentado associado à produção nacional.





