Microsoft leva desenho ecológico a mais de 20 centros de dados para reduzir impacto da IA

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Tecnológica norte-americana está a aplicar princípios de biomimética em centros de dados nos Estados Unidos e na Alemanha, numa altura em que a expansão da inteligência artificial aumenta a pressão sobre energia, água e território, A estratégia inclui recuperação de zonas húmidas, plantação de espécies nativas, corredores ecológicos e sistemas de gestão de águas pluviais junto às infra-estruturas.

A Microsoft está a expandir para mais de 20 centros de dados nos Estados Unidos e na Alemanha uma estratégia de construção inspirada no funcionamento dos ecossistemas naturais. A abordagem, baseada em princípios de biomimética, procura integrar os grandes complexos tecnológicos no ambiente envolvente.

Entre as medidas estão a recuperação de zonas húmidas, a restauração de cursos de água, a criação de habitats para polinizadores, a plantação de vegetação nativa e a melhoria dos sistemas de gestão de águas pluviais. A Microsoft começou a testar esta abordagem num centro de dados nos Países Baixos, em 2022, e pretende incorporá-la nos novos projectos nos Estados Unidos.

IA aumenta pressão sobre infra-estruturas

A expansão dos centros de dados acompanha o crescimento da procura por capacidade computacional para inteligência artificial. A própria Microsoft reconhece que a evolução da IA está a aumentar a procura por energia, água, terrenos e materiais necessários para suportar a expansão da infraestrutura digital.

No exercício fiscal de 2025, as emissões totais da Microsoft aumentaram 25% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados pela empresa. A tecnológica atribui o crescimento sobretudo à expansão da infraestrutura de centros de dados e a alterações na contabilização da aquisição de electricidade renovável.

A empresa afirma, por outro lado, que em 2025 igualou o seu consumo anual global de electricidade através de compras de energia renovável. A Microsoft indica ainda ter contratado 40 gigawatts de nova capacidade de energia renovável em 26 países.

A tecnológica está também a desenvolver centros de dados com sistemas de arrefecimento concebidos para não utilizar água através da evaporação. A solução deverá ser aplicada em novos projectos, incluindo instalações planeadas na Alemanha.

Infra-estrutura passa a incluir impacto local

Num projecto no estado norte-americano da Virgínia, a Microsoft protegeu mais de 230 acres de terreno, recuperou oito acres de zonas húmidas e restaurou cursos de água. A empresa criou também trilhos pedonais e áreas de vegetação destinadas a integrar o complexo no espaço envolvente.

Na Alemanha, o centro de dados de Bedburg inclui habitats nativos, zonas húmidas, sistemas de gestão de águas pluviais, corredores ecológicos e barreiras visuais. As medidas procuram reduzir alguns dos efeitos locais associados à instalação de grandes infra-estruturas tecnológicas.

A estratégia surge num momento de maior escrutínio sobre o impacto dos centros de dados no consumo de electricidade, água e território. Investidores têm pressionado grandes empresas tecnológicas, incluindo Microsoft, Amazon e Google, para divulgarem mais informação sobre os recursos utilizados pelas suas infra-estruturas.

A expansão de soluções ecológicas não elimina o impacto material da corrida à inteligência artificial. Os próprios dados da Microsoft mostram que o crescimento da infraestrutura de centros de dados continua associado a maiores emissões, colocando a empresa perante o desafio de aumentar a capacidade computacional enquanto procura reduzir a pressão ambiental dessa expansão.

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