Durante milhares de anos, Omã foi mais do que um território situado na entrada do Golfo. A sua história foi construída sobre o mar, o comércio e a capacidade de ligar mundos. Há evidências de atividade comercial e marítima na região desde a Antiguidade, incluindo rotas que conectavam Omã à Índia, à África e a outras civilizações do Oriente. A sua localização, junto ao Estreito de Ormuz e no cruzamento entre Oriente e Ocidente, fez do país um ponto estratégico muito antes de o petróleo transformar a economia do Golfo.
A modernização de Omã, porém, ganhou uma nova dimensão a partir de 1970, quando o sultão Qaboos bin Said iniciou um amplo processo de transformação nacional. As receitas do petróleo foram direcionadas para infraestrutura, educação, saúde e construção das bases de um Estado moderno. Ao mesmo tempo, a preservação do património e da identidade cultural permaneceu como parte importante desse processo. Hoje, sob o sultão Haitham bin Tariq, Omã encontra-se numa nova etapa. O país procura reduzir a dependência dos recursos não renováveis e transformar a sua posição geográfica em vantagem económica, através de logística, indústria, tecnologia, turismo, investimento e comércio internacional. A Oman Vision 2040 tornou-se o principal enquadramento dessa transformação.
É nesta passagem, de uma economia apoiada pelo petróleo para uma economia que pretende funcionar como plataforma entre mercados, que encontramos três marcos fundamentais.
O primeiro marco foi em 1970: construíram as bases de um Estado moderno. A chegada do sultão Qaboos marcou o início da chamada Renascença Omani. O país passou por uma profunda transformação em infraestrutura, educação, saúde e desenvolvimento económico, utilizando as receitas petrolíferas para construir as bases que permitiriam a sua integração numa economia moderna.

O segundo foi em 2010/2020: transformação da localização em estratégia. A segunda mudança foi menos visível, mas decisiva: Omã começou a transformar a sua geografia numa infraestrutura económica. Portos como Sohar, Salalah e Duqm passaram a ocupar um papel central na estratégia de comércio e logística, aproveitando a proximidade das grandes rotas marítimas e o acesso aos mercados da Ásia, África, Médio Oriente e Europa.
E o terceiro marco foi de 2020 em diante com o programa Oman Vision 2040. A aprovação da Oman Vision 2040, no final de 2020, e a sua implementação a partir de 2021 formalizaram a nova ambição nacional: construir uma economia diversificada, competitiva e orientada para o conhecimento, reduzindo a dependência do petróleo e ampliando o papel do setor privado, da inovação, da indústria, da logística e do investimento internacional.
E é precisamente aqui que Omã se torna uma história de negócios com cinco lições estratégicas de um país que não abandonou aquilo que sempre foi, e se reposicionou naquilo que sempre teve:
1. Transformar geografia em estratégia: Omã não escolheu a sua localização, mas transformou-a num ativo económico. Portos, rotas marítimas e proximidade de grandes mercados passaram a fazer parte da sua estratégia de crescimento.
2. Usar os recursos de hoje para construir o amanhã: O petróleo financiou infraestrutura, educação e desenvolvimento. A lógica foi transformar uma riqueza finita em capacidades que permanecem.
3. Diversificar antes que a necessidade se torne urgência: Em vez de depender exclusivamente de um setor, Omã vem construindo novas frentes em logística, indústria, turismo, tecnologia, energia e investimento.
4. Modernizar sem apagar a identidade: A transformação não significou copiar outros modelos. Omã preservou cultura, património e tradição enquanto atualizou a sua economia e infraestrutura.
5. Pensar em décadas, não em ciclos: A Oman Vision 2040 traduz uma visão de longo prazo: definir onde o país quer chegar e alinhar políticas, investimento e desenvolvimento nessa direção.
A grande lição de Omã para o mundo é que não é necessário abandonar a identidade para conquistar uma nova posição global. É possível transformar aquilo que se é num ativo para aquilo que se pretende.





