Aumento dos ataques com drones mais rápidos está a pressionar a defesa aérea ucraniana, que procura desenvolver novos interceptores e sistemas de orientação para responder à ameaça, A Rússia terá lançado quase 2.850 drones com propulsão a jacto em Agosto, contra cerca de 450 em Junho, segundo dados apresentados por autoridades ucranianas à Reuters.
A Ucrânia está a acelerar o desenvolvimento de novos sistemas para combater uma nova geração de drones russos de ataque equipados com motores a jacto. A maior velocidade destas armas está a dificultar a utilização dos interceptores que Kyiv desenvolveu para enfrentar modelos mais lentos, aumentando a pressão sobre a defesa aérea do país.
Segundo dados ucranianos citados pela Reuters, a Rússia aumentou significativamente o recurso a estes drones durante o Verão. O número de aparelhos lançados passou de cerca de 450 em Junho para quase 2.850 em Agosto, evidenciando uma rápida expansão da nova capacidade de ataque.
Os drones, incluindo versões modificadas da família Shahed, podem atingir velocidades entre 240 e 500 quilómetros por hora. A combinação entre velocidade, orientação e capacidade de operar em grandes quantidades torna-os mais difíceis de detectar e destruir antes de atingirem os seus alvos.
Interceptores actuais enfrentam limitações
A Ucrânia já utiliza drones interceptores para abater os modelos russos equipados com motores convencionais. No entanto, estes sistemas foram concebidos para ameaças mais lentas e têm dificuldades em acompanhar os novos aparelhos a jacto.
Num teste realizado em Julho, alguns dos novos interceptores apresentaram problemas de controlo quando operavam a velocidades elevadas. Os resultados mostraram que o desenvolvimento de uma solução capaz de acompanhar os drones russos continua a enfrentar obstáculos técnicos.
A resposta ucraniana envolve várias frentes. Empresas do sector da defesa estão a trabalhar em interceptores com motores a jacto, sistemas de orientação baseados em inteligência artificial e mísseis guiados de menor custo. Mais de 60 empresas participam na corrida para desenvolver soluções que possam ser utilizadas em condições reais de combate.
Grande parte destes projectos ainda está numa fase inicial. Enquanto as novas tecnologias não atingem maturidade suficiente, a Ucrânia continua dependente de uma combinação de sistemas de defesa aérea e, em situações específicas, de intervenções de aeronaves tripuladas para tentar abater os drones mais rápidos.
Uma nova corrida tecnológica
A evolução dos drones russos está a alterar a relação entre ataque e defesa no espaço aéreo ucraniano. Moscovo tem conseguido aumentar a velocidade e o volume das armas utilizadas, enquanto Kyiv procura desenvolver sistemas que possam interceptá-las sem recorrer exclusivamente a mísseis de defesa aérea mais caros.
A estratégia ucraniana passa também por uma defesa em rede, combinando diferentes tecnologias para dificultar a navegação dos drones, detectar os aparelhos e efectuar a intercepção no momento adequado. Especialistas citados pela Reuters consideram que a Ucrânia deverá conseguir desenvolver uma resposta, mas reconhecem que, no curto prazo, os drones russos a jacto representam uma vantagem significativa no campo de batalha.





