Investigação da Universidade Católica de Angola analisa o impacto da responsabilidade social das empresas mineiras entre 2017 e 2023, com trabalho de campo na Lunda Norte e na Lunda Sul. Autores reconhecem limitações no acesso a dados e a ausência de resposta a pedidos de audiência dirigidos a entidades institucionais
Um estudo do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola identificou, em comunidades das zonas de exploração diamantífera, escolas com computadores sem professores para os utilizar e localidades sem qualquer serviço de saúde.
A investigação analisa o impacto da responsabilidade social das empresas mineiras nas comunidades da região leste, com especial atenção ao período entre 2017 e 2023, e resulta de trabalho de campo na Lunda Norte e na Lunda Sul. Na Lunda Norte foram consideradas localidades como Cafunfo, Loremo, Nzagi/Maludy, Lucapa, Satchienba, Bairro Chapa, Paulo e Xá-Miquelengue; na Lunda Sul, Sambaia, Ngando, Itengo, Candala e Sapapa, entre outras.
Na educação, o levantamento encontrou situações opostas. Em Xá-Miquelengue foi registada uma escola do primeiro ciclo com sete salas, financiada pela Lulo. Em Maludy, uma escola equipada com computadores há vários anos não os utilizava por falta de professores; em Satxindele, a escola mais próxima fica a cerca de sete quilómetros; e no Bairro Chapa as aulas decorriam numa estrutura originalmente destinada a habitação.
Na saúde, o estudo identificou em Sambaia um centro médico com seis técnicos, laboratório de análises clínicas, consulta materno-infantil, partos e pequenas cirurgias. Em contraste, Caxinacagi e Satxindele foram identificadas como comunidades sem serviços de saúde, públicos ou privados, e em Maludy o posto médico existente não se encontrava em funcionamento.
As comunidades consultadas apontaram ainda poluição ambiental e fluvial, desvio de cursos de rios e riachos, desmatamento e poluição sonora. No emprego, o levantamento registou a percepção de que as oportunidades de recrutamento nem sempre correspondem às expectativas das populações, a par da existência de contratos temporários, mantendo-se jovens e famílias dependentes do garimpo como fonte de rendimento.
A metodologia assentou em entrevistas estruturadas abertas a 74 participantes, entre autoridades tradicionais e eclesiásticas, profissionais da educação e da saúde, líderes juvenis e representantes de organizações não-governamentais. Os autores reconhecem que a investigação enfrentou limitações no acesso a determinados dados e a ausência de resposta a alguns pedidos de audiência dirigidos a entidades institucionais, admitindo a necessidade de novos estudos.
Estruturada em sete capítulos, a obra percorre a evolução da actividade diamantífera na região desde o período colonial, marcado pela presença da Diamang, passando pelas transformações ocorridas após a independência e durante o conflito armado, até à configuração actual do sector.





