Aumento de 2,22% divulgado pelo Ministério dos Recursos Minerais reflecte um trimestre com mais um dia de calendário do que o anterior. Junho foi o mês de maior volume exportado e o de menor receita, com o preço médio a cair para 81,581 dólares por barril
Angola exportou 968.374 barris diários de petróleo bruto no segundo trimestre, mais 1,1% do que no primeiro. A receita diária subiu 23,2%, quase toda por efeito de preço.
Os documentos oficiais apresentados na reunião de balanço de 30 de Julho indicam um crescimento de 2,22% no volume exportado, de 86.207.889 para 88.122.036 barris. A comparação directa entre os dois totais sobrepõe, contudo, períodos de duração desigual: o segundo trimestre de 2026 teve 91 dias e o primeiro teve 90. Corrigido o efeito de calendário, a média diária passou de 957.865 para 968.374 barris, um acréscimo de 1,1%. O cálculo é da Outside, a partir dos volumes publicados pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás.
A distorção não afecta a comparação homóloga, porque os segundos trimestres de 2025 e de 2026 têm igual número de dias. Nessa base, a exportação média diária subiu de 932.447 para 968.374 barris, os mesmos 3,85% que constam do documento oficial. Em treze meses, portanto, o volume diário exportado cresceu menos de quatro pontos percentuais.
O contraste com a receita é a informação central do trimestre. O valor bruto das exportações de petróleo bruto ascendeu a 8.907.981.036,53 dólares, contra 7.149.602.336,54 dólares no primeiro trimestre. Em base diária, a receita passou de 79,44 para 97,89 milhões de dólares, um aumento de 23,2%. O preço médio ponderado das ramas angolanas subiu 21,89%, de 82,934 para 101,087 dólares por barril, absorvendo praticamente todo o crescimento.
O perfil mensal confirma a desconexão entre actividade e receita. Abril registou 27.611.619 barris exportados por 3.103.703.516,35 dólares, ao preço médio de 112,406 dólares por barril. Maio subiu para 28.819.934 barris e 3.218.949.059,92 dólares, a 111,692 dólares. Junho foi o mês de maior volume, com 31.690.483 barris, mas o de menor receita, 2.585.328.460,26 dólares, porque o preço médio recuou para 81,581 dólares por barril. Entre Abril e Junho o volume aumentou 14,8% e o valor caiu 16,7%.
No conjunto do trimestre foram realizados 94 carregamentos, dos quais 75 com destino à Ásia, correspondentes a 79,38% do volume, 16 para a Europa, dois para África e um para a América do Norte.
O Orçamento Geral do Estado para 2026 foi construído com uma produção média prevista de 1,05 milhão de barris por dia. Os dados agora divulgados referem-se a volumes exportados e não a produção, pelo que não são directamente comparáveis com esse pressuposto — parte da produção nacional destina-se ao mercado interno e ao abastecimento das unidades de refinação. A confirmação do desempenho produtivo depende da divulgação de dados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis.
O secretário de Estado para os Recursos Minerais, Jânio Corrêa Victor, atribuiu o acréscimo de 54,71% no valor bruto exportado em termos homólogos à “alta dos preços no mercado internacional”, situando o exercício no quadro do acompanhamento trimestral da comercialização de hidrocarbonetos e da sua contribuição para a economia do país.
Nas exportações de gás natural, condensados e gases de petróleo liquefeito, o volume atingiu 1.520.334,67 toneladas métricas, mais 4,63% do que no trimestre anterior, por 1.249.544.220,97 dólares. Também aqui o crescimento do valor, de 37,52%, excede largamente o do volume. Todos os dados do segundo trimestre de 2026 estão assinalados como provisórios na origem.





