Apple processada depois de uma aplicação falsa roubar 1,65 milhões de euros em Bitcoin

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Três utilizadores acusam a empresa de permitir a distribuição de uma aplicação que imitava a Sparrow Wallet e recolhia frases de recuperação de carteiras digitais
Queixa exige o reembolso dos prejuízos e mudanças nos mecanismos de detecção de fraudes da App Store

A Apple está a ser processada nos Estados Unidos por três utilizadores que perderam, no total, cerca de 1,65 milhões de euros em Bitcoin depois de descarregarem uma aplicação fraudulenta através da App Store. Os queixosos acusam a empresa de não ter detectado ou removido a aplicação falsa, apesar de alertas anteriores sobre clones da carteira Sparrow Wallet.

A aplicação maliciosa imitava a Sparrow Wallet e induzia os utilizadores a introduzir a chamada seed phrase, uma frase de recuperação que permite recuperar o acesso a uma carteira de criptomoedas. Depois de as credenciais serem inseridas, os fundos eram transferidos para carteiras controladas pelos cibercriminosos.

Os prejuízos foram registados em diferentes momentos de 2025. Um dos utilizadores perdeu 1,05033242 Bitcoin, enquanto outro perdeu 7,4 Bitcoin, avaliados na altura em cerca de 805.000 euros. Um terceiro utilizador sofreu perdas estimadas em aproximadamente 772.800 euros.

A queixa acusa a Apple de promover a App Store como um ambiente seguro, apesar de a aplicação fraudulenta ter conseguido permanecer na plataforma e, segundo os queixosos, ter aparecido até em colecções recomendadas junto de aplicações legítimas.

A situação ganha maior relevância porque a versão legítima da Sparrow Wallet é destinada a computadores com Windows, macOS e Linux e não possui uma aplicação oficial para iPhone ou iPad. O criador da carteira já tinha alertado anteriormente para a existência de clones fraudulentos na loja da Apple.

A Apple afirma ter removido rapidamente as aplicações que imitavam a Sparrow Wallet e cancelado as contas dos programadores associados. A empresa também recorda que disponibiliza mecanismos para denunciar aplicações suspeitas e queixas relacionadas com propriedade intelectual.

Os queixosos exigem agora o reembolso do dinheiro perdido, indemnizações e o pagamento dos custos judiciais. Pedem ainda que a Apple seja obrigada a melhorar os seus sistemas de detecção de fraudes e a apresentar avisos mais claros sobre os riscos associados a aplicações de criptomoedas.

A Apple vende a App Store como uma fortaleza de segurança — agora, três utilizadores querem provar em tribunal que uma aplicação falsa conseguiu passar pelas suas portas e levar mais de 1,6 milhões de euros em Bitcoin.

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