Míssil russo atingiu o cargueiro Golden Leo, que transportava milho ucraniano, provocando um incêndio e a morte de tripulantes de várias nacionalidades
Ataque aumenta os riscos para a navegação comercial e para as exportações de cereais através do Mar Negro
Um ataque com mísseis russos atingiu um navio de carga que transportava milho ao largo do porto ucraniano de Odessa, provocando a morte de dez pessoas. O ataque ocorreu num momento de intensificação dos ataques contra rotas marítimas e infra-estruturas portuárias da Ucrânia.
O navio Golden Leo, que navegava sob a bandeira da Guiné-Bissau, foi atingido por três mísseis de cruzeiro russos no domingo, 19 de Julho. A embarcação, propriedade da empresa indiana Ocean Grace Shipping, transportava milho e incendiou-se após o ataque.
Entre as vítimas encontram-se membros da tripulação provenientes da Índia e da Síria, além de um piloto marítimo ucraniano. O navio tinha 17 pessoas a bordo e oito tripulantes foram resgatados durante uma operação de busca realizada durante a noite.
O ataque ocorre numa altura em que a segurança da navegação comercial no Mar Negro se deteriora. Nos últimos dias, navios de carga e infra-estruturas portuárias ucranianas foram atingidos, aumentando os riscos para as embarcações que transportam cereais e outros produtos através das rotas marítimas da região.
A Ucrânia continua a utilizar os seus portos do Mar Negro para exportar cereais, apesar dos ataques russos. O país é um dos principais exportadores mundiais de produtos agrícolas, e a interrupção destas rotas poderá afectar as cadeias globais de abastecimento de cereais.
A Rússia e a Ucrânia intensificaram recentemente os ataques contra infra-estruturas e rotas de transporte marítimo, num momento em que as negociações de paz continuam sem produzir um acordo capaz de travar os combates.
O ataque ao Golden Leo constitui um dos episódios mais mortíferos contra um navio comercial desde o agravamento recente da violência no Mar Negro. A morte de dez pessoas e o risco crescente para embarcações civis aumentam a pressão internacional para proteger a navegação comercial numa das zonas mais importantes para o comércio mundial de cereais.





