Mercados reagem à perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz e regresso das exportações iranianas
Analistas alertam que normalização do abastecimento poderá demorar vários meses
Os preços internacionais do petróleo caíram para o nível mais baixo dos últimos três meses depois de os Estados Unidos e o Irão anunciarem um acordo preliminar para pôr fim ao conflito entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de crude.
O acordo prevê a assinatura de um memorando de entendimento que estabelece um cessar-fogo, a reabertura do estreito e o início de negociações para um acordo definitivo. Como parte do entendimento, Washington permitirá igualmente que o Irão retome de imediato as exportações de petróleo, mediante o cumprimento de determinadas condições relacionadas com o seu programa nuclear.
A perspectiva de um aumento da oferta de petróleo no mercado internacional provocou uma forte reacção dos investidores. O Brent, referência para os mercados internacionais, encerrou nos 78,96 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência norte-americana, terminou a sessão nos 76,05 dólares por barril, ambos em mínimos desde o início de Março.
O Estreito de Ormuz é responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo consumido mundialmente, pelo que qualquer interrupção da navegação naquela passagem marítima tem impacto imediato nos mercados energéticos. O conflito entre Washington e Teerão reduziu significativamente as exportações da região, alimentando receios de escassez e impulsionando os preços do crude nos últimos meses.
Apesar da reacção positiva dos mercados, especialistas consideram prematuro assumir um regresso rápido à normalidade. Embora alguns navios já tenham retomado a travessia do estreito, o tráfego marítimo continua muito abaixo dos níveis registados antes do conflito e poderá demorar meses a recuperar totalmente, devido a preocupações de segurança, custos de seguros e danos nas cadeias logísticas.
O recuo do petróleo reflectiu-se também nas bolsas. As acções de grandes empresas energéticas registaram perdas, uma vez que preços mais baixos do crude tendem a reduzir as margens de lucro do sector. Analistas sublinham, contudo, que a evolução futura dependerá da assinatura formal do acordo, da implementação efectiva das medidas previstas e da capacidade do Irão para restabelecer rapidamente as suas exportações.




