Ramaphosa rejeita responsabilização de migrantes pela crise económica sul-africana

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Presidente afirma que desemprego, criminalidade e desigualdade exigem soluções estruturais e não a procura de bodes expiatórios
Declarações surgem numa altura de crescente violência contra cidadãos estrangeiros e pressão política sobre o Governo

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, advertiu que os migrantes não devem ser responsabilizados pelos problemas económicos e sociais do país, defendendo que o desemprego, a criminalidade e as desigualdades estruturais exigem respostas políticas concretas em vez da procura de bodes expiatórios.

As declarações foram feitas durante as comemorações do Dia Nacional da Juventude, em Joanesburgo, num momento em que a África do Sul enfrenta uma nova vaga de manifestações e ataques contra cidadãos estrangeiros. Grupos anti-imigração têm acusado migrantes de contribuírem para o elevado desemprego, o aumento da criminalidade e a degradação dos serviços públicos.

Ramaphosa reconheceu que o descontentamento da população, sobretudo entre os jovens, é legítimo. A taxa de desemprego entre os jovens ronda actualmente os 46%, enquanto o país continua a registar uma das mais elevadas taxas de homicídio do mundo e profundas desigualdades económicas e raciais, mais de três décadas após o fim do apartheid.

“Enfrentar estes desafios exige soluções práticas, não transformar pessoas vulneráveis em bodes expiatórios”, afirmou o Presidente sul-africano, acrescentando que, embora o Governo reconheça o desafio da imigração ilegal e esteja a adoptar medidas para o combater, “os nossos problemas são, em grande medida, problemas nossos, que temos a responsabilidade de resolver”.

As declarações representam uma tentativa de travar o agravamento da tensão social. Nas últimas semanas, vários estabelecimentos comerciais pertencentes a migrantes foram alvo de pilhagens e actos de violência, levando centenas de estrangeiros a abandonar as suas casas ou a procurar protecção junto das autoridades. Países como o Gana, Malawi e Moçambique iniciaram operações para retirar cidadãos do território sul-africano devido ao agravamento da insegurança.

Apesar de já ter condenado anteriormente episódios de violência xenófoba, Ramaphosa continua sob forte pressão política. O país permanece em estado de tensão antes do prazo de 30 de Junho fixado por grupos anti-imigração, que exigem a saída de todos os estrangeiros em situação irregular.

A África do Sul continua a ser o principal destino económico da África Austral, atraindo trabalhadores dos países vizinhos e pessoas que fogem de conflitos regionais, incluindo da República Democrática do Congo. Ao mesmo tempo, o Governo enfrenta um crescente descontentamento popular relacionado com o fraco crescimento económico, a degradação dos serviços públicos e a governação, factores que poderão penalizar o Congresso Nacional Africano (ANC), partido de Ramaphosa, nas eleições autárquicas previstas para Novembro.

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