Gabinete de Segurança aprova quadro legal para permitir a entrada de uma força multinacional de estabilização em zonas que não estão sob controlo israelita
Missão deverá contar inicialmente com cerca de 200 elementos, incluindo efectivos de Uganda e Marrocos, mas a data do destacamento ainda não foi definida
O Gabinete de Segurança de Israel aprovou este domingo o quadro legal que permitirá a entrada de uma força internacional de estabilização em partes da Faixa de Gaza que não estão sob controlo israelita. A decisão constitui um dos passos mais concretos até agora para a implementação do plano de cessar-fogo e reconstrução apoiado pelo Presidente norte-americano Donald Trump.
A força, denominada Força Internacional de Estabilização, deverá contar inicialmente com cerca de 200 elementos de países considerados aliados por Israel. Uganda e Marrocos estão entre os países mencionados como potenciais participantes, embora cada contingente necessite de uma autorização individual das autoridades israelitas para entrar em Gaza.
Ainda não existe uma data definida para o início da operação. A aprovação ocorreu um dia antes da viagem do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, aos Estados Unidos, onde deverá reunir-se com Donald Trump para discutir a implementação do plano para Gaza.
O plano norte-americano prevê o aumento da ajuda humanitária, a criação de uma administração civil palestiniana composta por tecnocratas, o desarmamento do Hamas e a retirada das forças israelitas de Gaza. Contudo, a execução do acordo tem enfrentado obstáculos, com o Hamas a recusar depor as armas e Israel a manter operações militares e a controlar cerca de 64% do território, segundo estimativas citadas pela Reuters.
A futura força internacional deverá operar em zonas que não estão sob controlo militar israelita e ficará integrada numa estrutura internacional mais ampla destinada a supervisionar a transição política e a estabilização do território. O plano inclui também um organismo denominado Conselho da Paz, responsável por acompanhar a execução do quadro acordado.
Para Israel, a entrada de forças estrangeiras representa uma mudança delicada na gestão da segurança de Gaza. A exigência de aprovação individual para cada país participante permite ao Governo israelita manter controlo sobre a composição da força e evitar a entrada de contingentes que considere inaceitáveis.
A missão enfrenta, contudo, desafios significativos. O Hamas ainda não aceitou desarmar-se, a administração civil palestiniana prevista continua fora de Gaza e grande parte do território permanece destruída após dois anos de guerra. Cerca de dois milhões de pessoas continuam concentradas numa área limitada, em condições humanitárias graves.
A decisão israelita poderá, ainda assim, representar uma tentativa de desbloquear um plano que permanece paralisado. Israel acaba de abrir a porta para uma força internacional entrar em Gaza — mas, por enquanto, continua a decidir quem pode atravessá-la e quando.





