Díaz-Canel acusa Trump de “genocídio político” enquanto Cuba mergulha na pior crise em décadas

Data:

Presidente cubano denuncia o embargo petrolífero e as sanções dos Estados Unidos durante as celebrações do 73.º aniversário do início da Revolução
Havana enfrenta apagões, escassez de combustível, colapso dos transportes e saída de empresas internacionais do país

O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, acusou no domingo a Administração de Donald Trump de conduzir um “genocídio político” contra Cuba, durante as celebrações do 73.º aniversário do ataque que deu início à Revolução Cubana. O líder cubano criticou o embargo petrolífero e o reforço das sanções norte-americanas, que considera responsáveis pelo agravamento da crise económica do país.

Díaz-Canel também rejeitou um recente relatório do Departamento de Estado norte-americano que acusa Cuba de infiltrar o Governo dos Estados Unidos e de apoiar uma alegada onda sem precedentes de terrorismo de esquerda em território norte-americano. O Presidente cubano afirmou que Washington procura transformar Cuba num bode expiatório para os problemas económicos e sociais dos Estados Unidos.

A acusação foi proferida durante uma cerimónia realizada na província de Pinar del Río, que assinalou o início da rebelião liderada por Fidel Castro contra o então Presidente Fulgencio Batista. O ataque às casernas de Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, em 1953, marcou o início do processo revolucionário que derrubaria Batista mais de cinco anos depois.

As relações entre Havana e Washington deterioraram-se ainda mais desde que a Administração Trump reforçou as sanções e as restrições ao fornecimento de petróleo. A pressão externa ocorre enquanto Cuba atravessa uma crise económica que provocou apagões sucessivos, escassez de combustível, colapsos da rede eléctrica e graves perturbações nos transportes públicos.

A crise também levou várias empresas internacionais, sobretudo nos sectores do turismo e financeiro, a abandonar as suas operações na ilha. A falta de combustível afectou ainda o funcionamento das escolas, levando à redução do ano lectivo.

Washington responsabiliza, por sua vez, o Governo cubano pela crise, apontando para a má gestão económica e a falta de investimento nas infra-estruturas envelhecidas do país. Havana rejeita essa interpretação e atribui uma parte significativa das dificuldades ao embargo e às sanções norte-americanas.

Durante o discurso, Díaz-Canel pediu o fim das sanções e do bloqueio petrolífero, além de agradecer às organizações internacionais que têm enviado ajuda humanitária e outros fornecimentos para a ilha. O Presidente cubano afirmou ainda que Cuba não representa uma ameaça para os Estados Unidos ou para qualquer outro país.

No aniversário da Revolução, Havana transformou a celebração num novo confronto com Washington: Cuba diz estar a ser sufocada pelas sanções, enquanto os Estados Unidos responsabilizam o regime pela crise que paralisa a ilha.

spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img
spot_img

Partilhe com amigos:

Notícias no E-Mail

spot_img

Popular

Artigos relacionados
Artigos relacionados

Sonangol conquista o “Leão de Ouro” e torna-se tricampeã da FILDA

Petrolífera nacional volta a receber a principal distinção da...

Angola trava golpe de quase 9 mil milhões de euros antes da transferência

Rede criminosa preparava uma operação financeira fraudulenta de dimensão...

WhatsApp deixa de ser apenas uma aplicação de mensagens e invade carros, iPads e computadores

Meta lança novas funcionalidades para permitir contas independentes no...