Drones transform a guerra na Ucrânia e fazem vítimas civis dispararem 37%

Data:

ONU contabiliza 1.396 mortos e 7.978 feridos nos primeiros seis meses de 2026, num dos períodos mais mortíferos desde o início da invasão russa
Ataques com drones de curto alcance nas zonas da linha da frente tornaram-se uma das principais causas de mortes entre a população civil

O número de civis mortos e feridos na Ucrânia aumentou 37% nos primeiros seis meses de 2026, impulsionado sobretudo pelo aumento dos ataques com drones, segundo dados do Gabinete de Direitos Humanos das Nações Unidas. Entre Janeiro e Junho, foram registadas 1.396 mortes e 7.978 feridos.

O balanço representa quase o dobro do número de vítimas registado no mesmo período de 2024. Os ataques com drones de curto alcance foram responsáveis por 418 mortes e 2.437 feridos, contra 218 mortos e 1.511 feridos provocados pelo mesmo tipo de arma durante os primeiros seis meses do ano anterior.

Danielle Bell, chefe da Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, afirmou que o aumento das vítimas é impulsionado por duas tendências principais: a intensificação da utilização de mísseis balísticos e drones de longo alcance e o crescimento dos ataques com drones de curto alcance e bombas planadoras nas zonas da linha da frente.

A evolução demonstra a crescente importância dos drones no conflito. Equipamentos relativamente baratos e capazes de operar a curta distância são utilizados para atacar posições militares, veículos e infra-estruturas, mas também atingem áreas civis próximas das zonas de combate.

As autoridades ucranianas têm recorrido a redes de protecção, patrulhas e outros sistemas para tentar reduzir o risco de ataques de drones contra civis. Apesar dessas medidas, a ONU afirma que a intensificação dos ataques continua a provocar danos graves em infra-estruturas essenciais e a perturbar a vida das comunidades.

O aumento das vítimas ocorre enquanto a Rússia e a Ucrânia continuam a utilizar drones em ataques contra alvos militares e infra-estruturas estratégicas. Kiev também tem realizado ataques de drones contra alvos em território russo, com Moscovo a denunciar igualmente vítimas civis resultantes dessas operações.

A guerra, que entrou no seu quinto ano, continua assim a evoluir para um conflito cada vez mais dominado por sistemas não tripulados. Para a população civil, a proliferação de drones significa que o perigo pode surgir a qualquer momento, mesmo longe dos grandes campos de batalha.

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