Ortega enterra as eleições na Nicarágua e Washington pede isolamento internacional

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Presidente nicaraguense promete impedir novos processos eleitorais e anuncia medidas para bloquear o regresso da oposição ao poder
Marco Rubio acusa o regime de destruir a democracia e apela à comunidade internacional para aumentar a pressão sobre Manágua

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, apelou esta terça-feira à comunidade internacional para isolar a Nicarágua, depois de o Presidente Daniel Ortega ter anunciado que o país deixará de realizar eleições. A declaração representa uma nova escalada na deterioração democrática do país centro-americano.

Ortega afirmou, durante uma cerimónia que assinalou o aniversário da Revolução Sandinista, que “não haverá mais eleições” na Nicarágua. O Presidente acusou a oposição de tentar regressar ao poder através do apoio estrangeiro e prometeu trabalhar com a Assembleia Nacional para criar mecanismos que impeçam os seus adversários de governar.

A declaração surge depois de anos de concentração de poder nas mãos de Ortega e da sua esposa, Rosario Murillo, que se tornou co-presidente na sequência de uma reforma constitucional. A oposição encontra-se fortemente enfraquecida, com vários dirigentes presos, exilados ou impedidos de participar na vida política.

Marco Rubio classificou a decisão como uma ameaça à democracia e apelou a uma resposta internacional coordenada contra o Governo nicaraguense. Washington defende que a pressão diplomática e económica deve aumentar para obrigar Manágua a restabelecer instituições democráticas e permitir a realização de eleições competitivas.

A Nicarágua tem sido alvo de críticas internacionais devido à repressão contra opositores, jornalistas e organizações da sociedade civil. O Governo de Ortega é acusado de ter encerrado milhares de organizações e de ter utilizado a prisão, o exílio e a retirada da nacionalidade como instrumentos para eliminar vozes críticas.

A decisão anunciada pelo Presidente nicaraguense poderá transformar formalmente o país num regime sem alternância eleitoral, consolidando o domínio político da família Ortega-Murillo. A medida também deverá agravar o isolamento internacional de Manágua e aumentar a possibilidade de novas sanções por parte dos Estados Unidos e de outros países.

Para Washington, a crise ultrapassa a questão interna da Nicarágua. Rubio afirmou que a consolidação do poder de Ortega representa também uma ameaça aos interesses de segurança dos Estados Unidos, numa região onde Washington procura conter governos considerados hostis e reforçar a sua influência política.

A Nicarágua enfrenta agora uma nova fase de confronto com a comunidade internacional. Enquanto Daniel Ortega procura fechar definitivamente o caminho eleitoral à oposição, os Estados Unidos tentam mobilizar outros países para pressionar o regime e impedir que a eliminação das eleições se torne uma realidade permanente.

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