Presidente da tecnológica critica previsões alarmistas, mas reconhece preocupações dos jovens com o mercado de trabalho
Empresa defende que o debate deve centrar-se na adaptação da força laboral e não apenas na substituição de trabalhadores
A Microsoft alertou que a crescente preocupação com o impacto da inteligência artificial no emprego poderá afectar não apenas os trabalhadores, mas também as empresas, caso o sector tecnológico continue a transmitir uma visão excessivamente pessimista sobre o futuro do mercado de trabalho.
Num novo documento dedicado à relação entre inteligência artificial e emprego, o presidente e vice-presidente da Microsoft, Brad Smith, defendeu que a indústria tecnológica deve abandonar as previsões mais dramáticas sobre a eliminação de postos de trabalho e concentrar-se na forma como a tecnologia pode aumentar a produtividade das pessoas.
Segundo Smith, muitas das mensagens transmitidas por líderes tecnológicos nos últimos meses criaram um clima de receio, sobretudo entre os jovens que estão a entrar no mercado de trabalho. O responsável considera que a reacção negativa observada durante várias cerimónias de graduação nos Estados Unidos, onde discursos favoráveis à inteligência artificial foram recebidos com críticas por estudantes, constitui um sinal de alerta para toda a indústria.
“O debate tem estado demasiado centrado em previsões grandiosas e pouco centrado em utilizar a tecnologia, como sempre fizemos, para ajudar as pessoas a fazerem melhor o seu trabalho”, afirmou Smith.
As declarações surgem depois de vários executivos do sector terem advertido para uma possível redução significativa do emprego administrativo e técnico devido à automatização proporcionada pela inteligência artificial. Entre eles encontra-se Mustafa Suleyman, director executivo da Microsoft AI, que no início do ano afirmou que a maioria das tarefas realizadas em computador poderia ser automatizada nos próximos 12 a 18 meses.
Contudo, Suleyman esclareceu posteriormente que se referia à automatização de tarefas específicas e não à eliminação completa de profissões. Segundo o responsável, advogados, contabilistas, gestores de projecto e outros profissionais continuarão a desempenhar um papel essencial, recorrendo à inteligência artificial para aumentar a eficiência do seu trabalho.
Brad Smith considera que o sector tecnológico tem tendência para sobrestimar a velocidade com que novas tecnologias transformam a sociedade e, ao mesmo tempo, subestimar a capacidade de adaptação das pessoas. Na sua opinião, a inteligência artificial deverá tornar-se uma das tecnologias mais importantes das próximas décadas, mas a transição será gradual e dependerá da forma como empresas, governos e instituições de ensino prepararem os trabalhadores para novas competências.
Apesar da posição mais moderada da Microsoft, o debate continua a intensificar-se. Diversos líderes da indústria têm defendido que a inteligência artificial poderá alterar profundamente o mercado laboral, especialmente nas profissões de escritório e em funções de entrada, enquanto outros especialistas sustentam que a tecnologia criará novas oportunidades de emprego à medida que substitui tarefas repetitivas.
A Microsoft defende que o sucesso da inteligência artificial dependerá da confiança do público e da capacidade das empresas demonstrarem que a tecnologia pode complementar o trabalho humano, em vez de ser encarada apenas como um instrumento de substituição de trabalhadores.




