Especialistas debateram em Luanda como travar a progressão da miopia nas crianças

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O 2.º Congresso do Instituto Oftalmológico Nacional de Angola decorreu na quinta e sexta-feira na ENAPP, em Luanda, com a abertura a coincidir com o Dia Mundial da Visão. A NOA Ópticas levou ao encontro o tema do controlo da progressão da miopia em idade pediátrica, acompanhada por dois quadros da Hoya Vision Care Portugal. Em Angola não há dados públicos consolidados sobre a prevalência de erros refractivos nas crianças.

Corrigir a visão de uma criança míope e travar a velocidade a que essa miopia se agrava são duas coisas diferentes. Foi essa distinção que a NOA Ópticas levou, na manhã de sexta-feira, ao 2.º Congresso do Instituto Oftalmológico Nacional de Angola (IONA), que decorreu a 8 e 9 de Outubro na Escola Nacional de Administração e Políticas Públicas, sob o tema “Inovação, Tecnologia e Acesso à Saúde Ocular”.

A abertura, na quinta-feira, coincidiu com o Dia Mundial da Visão — assinalado na segunda quinta-feira de Outubro — e contou com a presença da Directora-Geral do IONA, Luísa Paiva, e de um representante do Ministério da Saúde. O encontro reuniu especialistas de Angola, da Gâmbia, do Brasil e de França, segundo a Rádio Nacional de Angola. A sessão de abertura do segundo dia foi dedicada ao Simpósio do Retinoblastoma, com foco na saúde ocular infantil, da detecção precoce ao tratamento multidisciplinar.

“A miopia deixou de ser encarada apenas como um erro refractivo que se corrige com uma lente. Sabemos hoje que é uma condição que evolui ao longo da infância e da adolescência, e que essa evolução pode ser abrandada”, afirmou Simão Pedro Silva, Eye Care Specialist da Hoya Vision Care Portugal, que se deslocou a Luanda para o congresso com Paulo Moreira, National Account Manager da mesma empresa.

O problema é reparar

O obstáculo que os especialistas colocaram no centro não é tecnológico. É de detecção.

“Uma criança não se queixa de ver mal, porque nunca viu de outra maneira. Quem tem de reparar são os adultos — quando ela encosta o rosto ao telemóvel, quando franze os olhos para ver ao longe, quando tem dores de cabeça ao fim do dia. Muitas vezes é rotulada de distraída, e o problema é outro: não está a ver”, afirmou Ita Lourenço Carvalho, Directora Técnica da NOA Ópticas, licenciada em Ortóptica e Ciências da Visão pela Escola Superior de Saúde de Lisboa.

Os sinais descritos são indirectos: a criança senta-se muito perto da televisão, aproxima o telemóvel do rosto, franze os olhos ao olhar ao longe. No recreio pode parecer descoordenada ou desinteressada, quando o que acontece é que não vê a bola a tempo. Não detectada, a miopia agrava-se ao longo do crescimento, e graus elevados estão associados a maior risco de complicações oculares na idade adulta.

A tecnologia e o que a evidência mostra

A solução apresentada assenta na tecnologia D.I.M.S. — Defocus Incorporated Multiple Segments —, incorporada nas lentes MiYOSMART da Hoya e desenvolvida em cooperação com a Universidade Politécnica de Hong Kong. A lente combina uma zona central de correcção óptica com um anel de tratamento composto por centenas de micro-segmentos, que criam um sinal de desfocagem destinado a desencorajar o alongamento do globo ocular sem afectar a visão central.

A literatura disponível documenta a eficácia. Num ensaio de dois anos com dupla ocultação, realizado com crianças chinesas entre os 8 e os 13 anos, a miopia progrediu 52% mais lentamente e o alongamento axial foi 62% inferior ao do grupo com lentes convencionais; 21,5% dos utilizadores não registaram aumento mensurável do grau. Um ensaio duplamente cego de 2025, com crianças entre os 7 e os 14 anos, apontou uma progressão de −0,27 dioptrias ao longo de um ano, contra −0,55 nas lentes de visão simples. Em adultos entre os 20 e os 30 anos, não foram identificados efeitos — é uma intervenção pediátrica.

A Hoya é uma multinacional japonesa que actua no sector através da Hoya Vision Care, cujo portefólio inclui as marcas SEIKO e PENTAX. Segundo a empresa, a tecnologia foi distinguida em 2018 na Exposição Internacional de Invenções de Genebra e já foram vendidas mais de 15 milhões destas lentes em mais de 50 países. A NOA Ópticas detém a exclusividade de fornecimento das lentes Hoya em território nacional e opera onze estabelecimentos na província de Luanda.

A lacuna que fica

Há um dado que falta, e a sua ausência foi assinalada no próprio encontro: em Angola não existem dados públicos consolidados sobre a prevalência de erros refractivos em idade pediátrica. Sem essa base, é difícil dimensionar o problema ou desenhar uma política de rastreio escolar.

“O rastreio precoce é o passo que continua a faltar. Uma avaliação visual a uma criança não demora, não é invasiva e pode alterar o percurso da sua visão até à idade adulta”, sustentou a Directora Técnica da NOA Ópticas.

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