Nossa Seguros cresce 49% em 2025 e passa a proteger cerca de 300 mil pessoas em Angola

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Seguradora ultrapassou os 100 mil milhões de kwanzas em prémios brutos emitidos e consolidou a sua posição entre os principais operadores do mercado nacional.Apesar dos resultados, a baixa penetração dos seguros no país continua a ser um dos maiores desafios do sector, que procura ampliar o acesso da população a soluções de protecção financeira.

A Nossa Seguros registou um crescimento de 49% em 2025 e assegura actualmente cerca de 300 mil pessoas, segundo o presidente da Comissão Executiva da instituição, Alexandre Carreira. O desempenho colocou a companhia entre as empresas com maior expansão no mercado segurador angolano e representou um crescimento superior ao do Produto Interno Bruto (PIB) do país no mesmo período.

Os resultados reflectem uma trajectória de expansão construída ao longo de duas décadas de actividade. Criada em 2004, a Nossa Seguros iniciou operações em 2005 e conseguiu manter-se entre os cinco maiores operadores do sector segurador em Angola. Desde 2022, segundo Alexandre Carreira, a instituição passou a ser a maior seguradora privada a operar no mercado nacional.

O crescimento registado em 2025 foi acompanhado por um aumento significativo do volume de negócios. A companhia encerrou o exercício com 116,1 mil milhões de kwanzas em prémios brutos emitidos, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 100 mil milhões de kwanzas no sector segurador privado angolano. A empresa alcançou ainda uma quota de mercado de 21% e terminou o ano com 315.275 apólices activas.

Saúde, Vida e Automóvel impulsionam resultados

Entre os principais factores que contribuíram para a expansão da seguradora estiveram os ramos Saúde, Vida e Automóvel. O seguro de Saúde registou um crescimento de 48%, atingindo cerca de 46 mil milhões de kwanzas em prémios emitidos, enquanto o ramo Vida aumentou a sua produção de 6,1 mil milhões para 20,2 mil milhões de kwanzas.

O crescimento do ramo Vida foi particularmente expressivo, impulsionado, entre outros factores, pela procura de seguros associados a operações de crédito bancário. O ramo Automóvel também contribuiu para o desempenho positivo da companhia, reforçando a importância destes produtos na composição da carteira de negócios.

A empresa atribuiu parte da evolução à expansão das operações com clientes empresariais e à estratégia de diversificação, que procura aumentar o peso dos seguros destinados a particulares. Em 2025, este segmento duplicou a sua participação nos prémios brutos emitidos, passando de 9% para cerca de 18%.

A aposta no mercado particular foi acompanhada pelo desenvolvimento de produtos destinados a diferentes necessidades e capacidades financeiras, bem como pelo reforço dos canais digitais e do atendimento directo. Entre as soluções disponibilizadas pela seguradora estão o Saúde Mwangolé, o Vida Fixe e o Amparo Familiar.

Para além do aumento das vendas, os resultados financeiros da companhia também evoluíram positivamente. O resultado líquido atingiu aproximadamente 13,3 mil milhões de kwanzas em 2025, representando um crescimento de 22% face ao exercício anterior. Os indicadores divulgados pela empresa apontam igualmente para uma margem de solvência de 257% e uma cobertura das provisões técnicas líquidas de 154%, elementos relacionados com a capacidade de responder às responsabilidades assumidas perante os segurados.

Baixa penetração continua a limitar o mercado

Apesar da expansão da Nossa Seguros, a penetração dos seguros na economia angolana permanece reduzida. Alexandre Carreira situou o indicador em cerca de 0,45% do PIB, considerando que o sector ainda tem um trabalho significativo a desenvolver para aumentar o número de cidadãos e empresas que recorrem a este tipo de protecção.

A taxa de penetração mede a dimensão da actividade seguradora em relação à economia, permitindo avaliar o peso dos prémios emitidos no Produto Interno Bruto. Um indicador reduzido sugere que os seguros ainda têm uma presença limitada na actividade económica e na gestão dos riscos enfrentados pelas famílias e pelas empresas.

Segundo o responsável, a evolução do indicador também deve ser analisada em função do ritmo de crescimento da economia. Quando o PIB aumenta mais rapidamente do que as vendas das seguradoras, o peso relativo do sector pode diminuir, mesmo que as empresas estejam a registar crescimento nominal.

Para a expansão do mercado, a companhia considera fundamental reforçar a sensibilização da população e a literacia financeira sobre a importância dos seguros. Factores culturais, a compreensão dos benefícios das apólices e a capacidade de pagamento das famílias são aspectos relevantes para o desenvolvimento de uma cultura de prevenção e protecção financeira.

O desafio passa, assim, por transformar o crescimento das seguradoras num acesso mais amplo aos produtos de protecção. A existência de uma carteira maior de clientes e de soluções mais acessíveis poderá contribuir para esse objectivo, embora o aumento da cobertura dependa também da capacidade do sector de responder às necessidades reais da população.

Documentário recupera duas décadas de história

As declarações de Alexandre Carreira foram feitas à margem da apresentação de um documentário dedicado à história da Nossa Seguros, iniciativa desenvolvida no âmbito das comemorações dos 20 anos de actividade da instituição.

De acordo com o presidente da Comissão Executiva, o projecto surgiu de um trabalho interno destinado a preservar a memória da empresa e a reconhecer os contributos das pessoas que participaram na sua construção. A iniciativa pretende mostrar que a evolução de uma organização não se resume aos resultados financeiros, aos relatórios ou à posição ocupada nos rankings do mercado.

O responsável destacou o papel dos fundadores, accionistas, trabalhadores, parceiros e clientes na consolidação da seguradora, sublinhando que os resultados alcançados resultam do esforço colectivo e da continuidade do trabalho desenvolvido ao longo dos anos.

A Nossa Seguros procura, desta forma, associar os resultados financeiros à história institucional e à evolução da sua presença no mercado angolano. A empresa pretende continuar a reforçar a sua posição num sector competitivo, num contexto em que a expansão dos seguros e o aumento da cobertura da população permanecem questões centrais para o desenvolvimento do mercado nacional.

O desempenho de 2025 representa um marco para a seguradora, mas também evidencia a dimensão do desafio que permanece para o sector: converter o crescimento das empresas numa maior utilização dos seguros por parte dos angolanos, ampliando a protecção de pessoas, famílias e negócios.

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