Unidade da Diarough é a sexta a entrar em funcionamento no Pólo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo, inaugurado em 2021 com investimento público de 77 milhões de dólares. Grupo belga anuncia capacidade de 4.000 quilates num horizonte de dois anos, sem especificar o período de referência da medida, e não divulga o valor do investimento
A Diarough inaugurou no sábado uma fábrica de lapidação em Saurimo, com 130 postos de trabalho, dos quais 100 locais e 30 expatriados.
A cerimónia decorreu no Pólo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo, na Lunda Sul, e foi presidida pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, com a presença do governador provincial, Gildo Matias, e do presidente executivo da Diarough, Suresh Parik. Segundo a cobertura da inauguração, trata-se da sexta unidade de lapidação a entrar em funcionamento no pólo. A empresa não divulgou o valor do investimento, o prazo de construção nem o calendário de contratação dos 130 trabalhadores.
O comunicado da Diarough Angola indica uma capacidade de lapidação de 4.000 quilates num horizonte de dois anos, sem esclarecer se o valor corresponde ao total do período, à produção anual ou à produção mensal a atingir no fim desse prazo. A distinção é material: as unidades já instaladas no pólo têm capacidades divulgadas em dezenas de milhares de quilates por ano, com a KGK nos 180 mil, a Robust Diam nos 96 mil, a Stardiam nos 72 mil, a Pollaro nos 60 mil e a Kapau Gems nos 54 mil, segundo dados oficiais citados pela imprensa angolana.
A entrada em funcionamento da unidade insere-se na política de aumento da transformação local da matéria-prima. De acordo com o comunicado, o volume de diamantes brutos destinados à lapidação em Angola passou de cerca de 25 mil quilates em 2021 para mais de 103 mil em 2025, o que corresponde a um aumento na ordem dos 312 por cento, calculado a partir dos valores arredondados divulgados pela empresa. A política de comercialização em vigor permite a venda de 20 por cento da produção nacional a lapidadores locais, meta que o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás tem atribuído à escassez de fábricas instaladas.
Diamantino Azevedo enquadrou a inauguração na estratégia de retenção de valor no país, sustentando que a fileira não se pode esgotar na extracção. Segundo o ministro, “o desenvolvimento do sector diamantífero não pode limitar-se à extracção”. O governador da Lunda Sul defendeu, por seu turno, que a província deve construir uma economia assente no diamante mas não limitada a ele.
O Pólo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo foi inaugurado em Agosto de 2021 pelo Presidente da República, João Lourenço, com um investimento inicial de 77 milhões de dólares suportado pela Sodiam. Ocupa mais de 300 mil metros quadrados, dispõe de 26 lotes industriais, dois centros de formação, uma central híbrida solar e térmica e uma área comercial, tendo arrancado com três fábricas em funcionamento.
Fundada em 1975 em Antuérpia por Mahendra Parikh, a Diarough é um grupo familiar com sede na Bélgica e operações em vários continentes, incluindo unidades de lapidação em África, na África do Sul e no Botsuana. Segundo a empresa, a fábrica de Saurimo incorpora soluções de rastreabilidade baseadas em blockchain para acompanhar a origem e o percurso das pedras. Citado no comunicado, Suresh Parik justificou a escolha do país com a leitura de que “vemos Angola como um mercado estratégico para o desenvolvimento da indústria diamantífera”.







