Grupo angolano é o único admitido sem reservas no concurso do Corredor do Namibe

Data:

Copia Group passa à fase de avaliação, consórcio liderado pela Africa Finance Corporation é admitido condicionalmente e candidatura da ATG Afri-Track é excluída por insuficiência documental. Concessão de 30 anos, prorrogável até 50, abrange a linha férrea entre Moçâmedes e Menongue, com cerca de 855 quilómetros e capacidade de até cinco milhões de toneladas por ano

Apenas um dos três concorrentes ao Corredor do Namibe foi admitido sem condições, avançou o Ministério dos Transportes, oito meses após o lançamento do concurso público internacional.

O acto público de abertura das propostas realizou-se em Luanda na quinta-feira, 13 de Agosto, e ditou a passagem do processo a uma nova fase. O Copia Group of Companies foi admitido ao concurso; o consórcio formado pela Africa Finance Corporation (AFC) e pela African Rail International foi admitido condicionalmente; e o consórcio integrado pela ATG Afri-Track Group, Global Business Development e VFF não foi admitido, por insuficiência documental identificada pela Comissão de Avaliação.

O comunicado do Ministério dos Transportes não identifica quais os documentos em falta na candidatura excluída, nem especifica as condições que o consórcio da AFC terá de suprir para consolidar a admissão, nem o prazo de que dispõe para o fazer. Também não indica a composição da Comissão de Avaliação, o calendário previsto para a decisão final, nem o valor estimado do contrato de concessão. Concluída esta etapa, a Comissão de Avaliação prossegue a análise e avaliação das propostas nos termos das peças do concurso.

O Concurso Público n.º 2/2025 foi lançado a 5 de Dezembro de 2025, em Moçâmedes, com prazo inicial de entrega de propostas fixado em 4 de Maio de 2026. O prazo foi posteriormente prorrogado para 4 de Junho, ao abrigo do Despacho n.º 48/2026, de 30 de Março, decisão que o ministério justificou com a complexidade das prestações associadas ao contrato e com o objectivo de assegurar propostas técnica e financeiramente mais robustas. Na cerimónia de lançamento, o secretário de Estado para os Transportes Terrestres, Jorge Bengue, antecipou que o processo atrairia operadores internacionais com histórico comprovado no sector. “A expectativa é de um concurso dinâmico e com elevada participação de operadores de referência”, afirmou, citado pelo comunicado então divulgado.

O objecto da concessão abrange a exploração, operação, manutenção e conservação da Linha Férrea de Moçâmedes–Menongue, incluindo material circulante, infra-estruturas associadas, oficinas e centro de formação, por um período inicial de 30 anos, prorrogável até 50. O contrato contempla ainda a possibilidade de concepção e construção de novos troços, extensões e ramais, incluindo ligações ferroviárias à Namíbia e, numa fase posterior, à Zâmbia.

O corredor integra o Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, com cerca de 855 quilómetros de extensão, e o Porto do Namibe, constituindo um eixo logístico para o escoamento de minérios, rochas ornamentais e produtos agrícolas, com capacidade de transporte de até cinco milhões de toneladas por ano, segundo o ministério. O comunicado não esclarece se o Porto do Namibe integra o perímetro da concessão a adjudicar, uma vez que a descrição do objecto contratual se limita à componente ferroviária e aos activos associados.

Fundado em 2015, o Copia Group of Companies é um grupo empresarial angolano com actividade em fiscalização de obras civis, tecnologias de construção e gestão de projectos, tendo participado na fiscalização do Aproveitamento Hidroeléctrico de Caculo Cabaça. A AFC é uma instituição financeira multilateral de desenvolvimento criada em 2007, que conta com 48 países membros e com cerca de 19 mil milhões de dólares aplicados em projectos em 36 países africanos. Actuou como co-assessora financeira na estruturação do financiamento da Lobito Atlantic Railway e é responsável pelo desenvolvimento do projecto ferroviário Zâmbia–Lobito. Segundo o ministério, a African Rail International acrescenta ao consórcio uma componente especificamente ligada ao sector ferroviário, não tendo sido divulgados a origem, a estrutura accionista ou o historial operacional da empresa.

Nas condições fixadas no lançamento do concurso, o concessionário terá de constituir uma sociedade anónima com sede em Angola e objecto social exclusivo, prestar caução equivalente a 5 por cento do valor total das rendas fixas previstas no contrato, sendo a adjudicação determinada pela proposta de maior vantagem económica. O prémio de concessão será repartido entre o Ministério dos Transportes e o Ministério das Finanças, na proporção de 60 e 40 por cento, respectivamente.

spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img
spot_img

Partilhe com amigos:

Notícias no E-Mail

spot_img

Popular

Artigos relacionados
Artigos relacionados

Taxa de emprego cresce 6,4% no segundo trimestre

Mercado de trabalho regista melhoria entre Abril e Junho,...

AIA na Huíla pede maior fiscalização da Lei do Mecenato

Associação considera necessário reforçar o acompanhamento da aplicação da...

Espanha ignorou alertas antes da entrada de mais de 70.000 migrantes em Ceuta

Sindicatos de trabalhadores fronteiriços dizem ter alertado para o...

Trump exige rendição do Irão e ameaça bombardear Omã

Presidente norte-americano afirma que Teerão deve aceitar a rendição...