Banco Sol junta banca, ANPG e indústria petrolífera para discutir financiamento ao conteúdo local no Angola Oil and Gas 2026

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Instituição bancária foi host de um painel no Angola Oil & Gas que colocou em debate os desafios de funding, regulação e risco cambial que ainda limitam a capacidade da banca doméstica de financiar projectos de grande dimensão no sector petrolífero e empreendedores nacionais do sector

O Banco Sol reuniu, esta Quinta-feira, 10, no Angola Oil & Gas (AOG) 2026, representantes da banca, da indústria petrolífera, da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis  (ANPG) e de empresas nacionais e estrangeiras para discutir um dos principais desafios do conteúdo local em Angola: como aproximar a capacidade de financiamento da banca doméstica das necessidades dos empreendedores do sector de petróleo e gás.

Sob o tema “Closing the Gap: O Papel dos Bancos Locais na Construção dos Empreendedores do Sector Petrolífero e de Gás em Angola”, o painel, moderado por Peter Olowonomi, Director Regional de Operações do Afreximbank para a África Austral, procurou identificar caminhos concretos para reduzir o fosso entre a ambição de conteúdo local e a capacidade financeira das empresas angolanas.

Anfitrião da iniciativa, o Banco Sol esteve representado pelo seu Presidente da Comissão Executiva, Osvaldo Lemos Macaia, que apresentou a evolução do posicionamento da instituição na indústria energética e de mineração.

Segundo o gestor, o petróleo e gás integram hoje a estratégia de transformação do Banco Sol e já representam uma área relevante de negócio. A instituição mantém actualmente uma carteira de crédito superior a 50 milhões de dólares no sector, trabalhando com empresas como a Etu Energias e participando em sindicatos internacionais de financiamento, incluindo operações relacionadas com a Sonangol Finance.

“Temos estado a trabalhar com empresas como a Sonangol Finance e Etu Energias. Hoje, temos um portefólio de crédito concedido ao sector petrolífero de mais de 50 milhões de dólares”, afirmou.

A estratégia ganhou uma estrutura dedicada com a criação, há dois anos, do Oil & Mining Desk, que, segundo Osvaldo Macaia, contribuiu para mais do que duplicar o volume de negócio associado à área: de cerca de 48 mil milhões Kz para perto de 80 mil milhões Kz. Entre os factores que explicam esta evolução estão as operações de Foreign Exchange (FX) e a prestação de serviços cambiais a empresas da indústria. 

O desafio do funding continua

Apesar dos avanços, o debate evidenciou que a capacidade de resposta da banca angolana continua condicionada por factores estruturais.

Entre os principais constrangimentos estiveram o custo de capital, a dimensão do mercado bancário, o risco cambial, o acesso a funding e determinados enquadramentos regulatórios, particularmente relevantes para projectos de maior dimensão e maturidades mais longas.

Osvaldo Macaia chamou ainda a atenção para uma questão estrutural: uma parte significativa da liquidez gerada pela indústria petrolífera não permanece no sistema financeiro doméstico, reduzindo a capacidade dos bancos nacionais de transformar essa liquidez em financiamento à própria economia.

“É importante dizer que aquilo que são os depósitos e toda a transaccionalidade inerente ao sector dos petróleos acontece offshore. Não acontece em Angola”, afirmou.

O gestor apontou como exemplo o volume de cash flow gerado pela indústria e a dimensão relativamente reduzida do activo do sistema bancário angolano, defendendo uma reflexão sobre os mecanismos que permitam aumentar a capacidade de retenção da liquidez do sector no mercado doméstico e, consequentemente, o seu retorno sob a forma de financiamento.

A questão foi igualmente colocada pela Administradora-Executiva do Banco Angolano de Investimentos (BAI), Inocelina de Carvalho, que identificou o acesso a funding como um dos factores que limitam uma participação mais ampla da banca no financiamento da indústria de petróleo e gás.

“Nós temos um mercado que é pequeno e imaturo e que se encontra em fase de crescimento. Somos audazes e queremos fazer coisas grandes. E podemos fazer. Temos, sim, a possibilidade de ir captar linhas, mas o risco cambial permanece”, afirmou.

Segundo a administradora, o desafio passa por encontrar mecanismos de funding adequados à dimensão e à natureza dos projectos da indústria, sobretudo num contexto em que uma parcela significativa dos fluxos financeiros gerados pelo sector não circula directamente no mercado doméstico.

No Banco de Crédito do Sul (BCS), a obtenção de um correspondente em dólares foi apresentada por Odyle Cardoso, Administradora-Executiva, como um passo determinante para ampliar a actuação do banco no Oil & Gas. A responsável sublinhou igualmente a necessidade de adaptar as soluções financeiras aos ciclos longos de investimento da indústria.

Já José Nascimento, do Banco de Fomento Angola (BFA), chamou a atenção para o défice de know-how entre a banca e o sector petrolífero, enquanto Fernando Chivinda, Director de Pequenas e Médias Empresas do Standard Bank, trouxe ao debate a perspectiva sobre o financiamento e desenvolvimento das empresas nacionais.

A sessão contou ainda com Maura Nunes, Directora do Gabinete de Fomento ao Conteúdo Local da ANPG; Edson Pongolola, da Sonangol; Ulanga Gaspar Martins, CEO da Poliedro; e Jacob Flewwlling, Conselheiro de Investimento em África, permitindo cruzar as perspectivas do regulador, da indústria, das empresas nacionais, da banca e dos investidores.

Promovido pelo Banco Sol, em parceria com o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPT) e a Energy Capital & Power, o painel foi um dos momentos de destaque do último dia do AOG 2026, colocando no centro do debate a necessidade de criar mecanismos que permitam à banca doméstica participar de forma mais efectiva no financiamento do conteúdo local.

Além do painel, o Banco Sol marcou presença nos dois dias do evento com um stand dedicado à apresentação da sua proposta de valor para os sectores de energia e mineração, visitado pelo Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino de Azevedo.

A participação no AOG 2026, pelo terceiro ano consecutivo, reforça a estratégia do Banco Sol de aprofundar a relação com a indústria e transformar conhecimento sectorial, capacidade financeira e proximidade ao mercado em soluções para o crescimento dos negócios em Angola.

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