Washington sancionou pessoas e entidades em vários países por alegado apoio financeiro ao Hezbollah e a grupos armados iraquianos ligados ao Irão.A nova ofensiva faz parte da “Operation Economic Outcast”, estratégia destinada a cortar as fontes de financiamento de Teerão para actividades militares e operações de grupos aliados.
Os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra indivíduos e entidades acusados de apoiar financeiramente grupos aliados do Irão no Médio Oriente, incluindo o Hezbollah, no Líbano, e o Kataib Hezbollah, no Iraque. As medidas abrangem redes com actividade no Iraque, Líbano e Turquia e integram uma campanha mais ampla para limitar os recursos financeiros de Teerão.
As sanções são conduzidas pelo Departamento do Tesouro norte-americano através do Office of Foreign Assets Control (OFAC) e fazem parte da chamada “Operation Economic Outcast”, lançada em 24 de Agosto. A operação procura isolar economicamente o Irão e dificultar o financiamento de actividades como o desenvolvimento de mísseis, ataques cibernéticos e operações do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que Washington continuará a perseguir as estruturas financeiras que sustentam o Governo iraniano e os seus aliados armados. A estratégia ocorre num momento de forte escalada militar entre os Estados Unidos e o Irão, incluindo confrontos em torno do Estreito de Ormuz.
Pressão sobre redes financeiras
Além das novas designações, o OFAC anunciou um acordo com um cidadão norte-americano que aceitou pagar 1,43 milhões de dólares por violações das sanções contra o Irão. A agência também apelou a denunciantes para comunicarem informações relacionadas com evasão de sanções e branqueamento de capitais ligados a Teerão.
O Tesouro emitiu ainda uma orientação que confirma uma política de forte restrição na aprovação de licenças relacionadas com o Irão. As excepções ficam limitadas a circunstâncias consideradas extraordinárias, reforçando a tentativa de reduzir os canais legais através dos quais entidades norte-americanas poderiam realizar determinadas operações relacionadas com o país.
A ofensiva financeira acompanha uma campanha militar que já afecta directamente as rotas comerciais e energéticas da região. Nos últimos dias, os Estados Unidos afundaram petroleiros iranianos que Washington acusa de fazerem parte de redes de financiamento do Corpo da Guarda Revolucionária, enquanto o Irão respondeu com ataques contra navios próximos do Estreito de Ormuz.
A escalada já provocou efeitos nos mercados. O Brent ultrapassou os 100 dólares por barril e os mercados financeiros do Golfo registaram perdas perante o risco de interrupções prolongadas nas rotas de transporte de energia.
Para Washington, o objectivo das novas sanções vai além de atingir directamente grupos armados. A estratégia procura dificultar a circulação de dinheiro através de empresas, intermediários e estruturas financeiras utilizadas para sustentar as operações do Irão e dos seus aliados regionais.
A pressão ocorre também enquanto Teerão procura preservar canais alternativos para manter o comércio externo. Uma investigação da Reuters publicada esta semana revelou a existência de um sistema de troca indirecta através do qual o Irão utiliza receitas provenientes da venda de petróleo para financiar a aquisição de mercadorias chinesas, contornando parte das restrições impostas pelos Estados Unidos.
O reforço das sanções acrescenta, assim, uma dimensão financeira à escalada militar no Médio Oriente. Com Washington a tentar limitar os recursos disponíveis para Teerão e para as milícias que lhe são aliadas, enquanto o Irão procura manter as suas redes de financiamento e influência regional, o risco de novas medidas económicas e retaliações militares permanece elevado.





