Grupo da Casa dos Frescos fabrica 180 referências de panificação e passa a fornecer matérias-primas à indústria alimentar nacional

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Rui Catalo situa em 2013 o arranque da viragem industrial, quando o grupo importava produtos de panificação de França por contentor. O grupo United Investimentos espera vir a pesar mais na indústria do que no retalho e já produz matérias-primas para outras indústrias alimentares, afirmou Rui Catalo.

Em entrevista exclusiva à Revista Outside, o responsável máximo da Casa dos Frescos declarou que o grupo fabrica mais de 180 referências de panificação e pastelaria e que deixou de produzir apenas o produto acabado, passando a assegurar internamente as matérias-primas técnicas que o suportam. Segundo o entrevistado, essas matérias-primas são também fornecidas a terceiros, nomeadamente a indústrias de bolachas e de refeições prontas. Ressalvou que a orientação para a indústria é um objectivo estratégico e não um cenário garantido, devendo ser mantidas as politicas de fortalecimento contínuo do tecido industrial do país.

O responsável sustentou que a panificação moderna depende de formulações enzimáticas e de conhecimento tecnológico que ultrapassam largamente a combinação de farinha, água, sal e fermento, e que o domínio dessa componente é condição para reduzir a exposição a fornecedores externos. Esta actividade corresponde, na estrutura divulgada pelo grupo, à Unibaker, unidade de tecnologia de panificação que opera sob a marca DiGrano.

A origem da viragem é anterior à crise cambial. O entrevistado situou em 2013 a decisão inicial, quando o grupo importava produtos de panificação de França por contentor e concluiu que a operação equivalia, na prática, a transportar ar. O arranque da montagem de capacidade fabril própria em meados de 2015, antecedeu assim, segundo a sua descrição, o período em que a escassez de divisas tornou a importação incomportável para o sector.

Questionado sobre o equilíbrio futuro entre as duas actividades, Rui Catalo afirmou que o retalho continua a ser a área de origem e de conforto do grupo, mas que a expectativa interna aponta para uma composição em que a indústria pesará mais do que a distribuição, devendo esse caminho ser resultado de parcerias sólidas e alinhadas com o crescimento do sector industrial do país. 

A reorganização societária acompanhou a mudança operacional. A Casa dos Frescos, criada em 1999, deixou de designar o conjunto e passou a ser uma das insígnias sob a marca United Investimentos, que agrega ainda a SPAR Angola, a Unipan, a Unibaker, a rede de restauração TelPizza e o programa de fidelização é-nice. O grupo mantém equipas próprias por marca, com direcção e objectivos autónomos, e serviços transversais partilhados nas áreas, logística, de contabilidade, controlo de qualidade, recursos humanos, marketing e sistemas de informação.

O entrevistado declinou quantificar o investimento realizado no parque industrial, invocando a sensibilidade da informação, e admitiu não dispor de um valor exacto para o peso da produção nacional no aprovisionamento do grupo. Indicou que a proporção de compras efectuadas a fornecedores locais se situa entre 65% e 70%, mas qualificou de imediato o dado, notando que parte dessas aquisições corresponde a produtos importados por representantes de marcas internacionais junto dos quais o grupo se abastece por já não importar directamente.

A entrevista decorreu na sequência da atribuição à Casa dos Frescos do prémio de Melhor Capa na 13.ª Gala Superbrands Angola, realizada no Palmeiras Clube, em Luanda, edição subordinada ao tema Marcas do Amanhã, na qual foram distinguidas 48 Marcas de Excelência.

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