Ataque de drone junto ao Suez reacende temor sobre exportações de petróleo

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Ataque contra dois navios no porto egípcio de Damietta aumenta as preocupações sobre uma das últimas rotas disponíveis para o petróleo saudita
Analistas alertam que qualquer ataque à zona do Canal de Suez poderá elevar os seguros de guerra, os custos de transporte e os preços da energia

Um ataque de drone que danificou dois navios de gás em águas egípcias reacendeu as preocupações sobre a segurança do Canal de Suez e do oleoduto Sumed, duas infra-estruturas que ganharam importância como rotas de exportação de petróleo saudita desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irão. O ataque ocorreu na quarta-feira, no porto de Damietta, no Mediterrâneo, mas nenhuma entidade assumiu até agora a responsabilidade.

A preocupação decorre do facto de outras rotas estratégicas da região estarem sob pressão. O estreito de Ormuz, por onde passava anteriormente cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundial, registou uma forte redução do tráfego, enquanto ameaças dos Houthis também levaram muitos navios a evitar o estreito de Bab el-Mandeb.

Com estas alternativas comprometidas, uma quantidade crescente de petróleo saudita passou a seguir para norte, pelo Mar Vermelho, em direcção ao Canal de Suez e ao oleoduto Sumed. Dados da Kpler indicam que as cargas de crude através do oleoduto atingiram 28,79 milhões de barris em Julho, contra 19,52 milhões em Abril.

A concentração de navios na região também aumentou. Cerca de 30 embarcações encontravam-se na zona de espera de Port Said, na entrada mediterrânica do canal, contra aproximadamente 20 no início da semana, segundo dados de rastreamento marítimo citados pela Reuters.

Apesar do ataque, não há neste momento indicação de que o Canal de Suez esteja directamente ameaçado ou de que o tráfego tenha sido interrompido. Analistas consideram, contudo, que qualquer ataque dentro da zona do canal poderia alterar rapidamente a avaliação de risco para a navegação e provocar um aumento significativo dos prémios de seguro de guerra.

O impacto potencial seria particularmente relevante para os mercados asiáticos. Segundo especialistas citados pela Reuters, a utilização da rota de Suez em vez de Bab el-Mandeb já aumenta significativamente o tempo de viagem para o Nordeste Asiático, podendo acrescentar cerca de um mês à chegada de determinadas cargas.

As empresas de transporte marítimo começaram entretanto a reavaliar as medidas de segurança aplicadas aos navios que operam junto aos portos mediterrânicos do Egipto. A possibilidade de maiores custos de seguro surge num momento em que as companhias já enfrentam viagens mais longas e dispendiosas devido à instabilidade no Médio Oriente.

A capacidade do sistema Suez-Sumed continua, ainda assim, a representar uma alternativa importante para os exportadores. Na semana passada, cerca de 1,4 milhões de barris de petróleo por dia foram levantados em Sidi Kerir, enquanto a capacidade do oleoduto Sumed é estimada em 2,5 milhões de barris por dia.

O ataque em Damietta não provocou, por enquanto, uma interrupção do Canal de Suez nem uma subida imediata dos preços do petróleo. Os mercados reagiram sobretudo às conversações entre o Irão e Omã sobre o futuro do tráfego no estreito de Ormuz.

O ataque ainda não fechou o Canal de Suez, mas colocou uma nova interrogação sobre uma das últimas grandes rotas disponíveis para o petróleo do Médio Oriente — e qualquer interrupção poderá repercutir-se rapidamente nos custos de transporte, nos seguros e nos preços da energia.

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