Xi Jinping lança ofensiva global pela IA e desafia domínio tecnológico dos Estados Unidos

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Presidente chinês defende inteligência artificial aberta e promete ajudar países em desenvolvimento a construir capacidades próprias
Pequim procura liderar a definição das regras globais para uma tecnologia que considera tão transformadora como a electricidade

O Presidente chinês, Xi Jinping, apresentou a China como uma alternativa à liderança tecnológica dos Estados Unidos na inteligência artificial, defendendo uma ordem global baseada numa maior partilha de tecnologia, no desenvolvimento de modelos de código aberto e no acesso dos países em desenvolvimento às capacidades de IA.

Durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, em Xangai, Xi Jinping afirmou que a tecnologia deve beneficiar a humanidade e alertou que o acesso desigual à inteligência artificial poderá criar novas divisões entre países. O líder chinês comparou o impacto da IA ao da invenção da máquina a vapor e da electricidade.

Pequim pretende apoiar países do Sul Global na formação de especialistas e no desenvolvimento das suas próprias capacidades de inteligência artificial. Entre as iniciativas anunciadas estão 5.000 oportunidades de formação para países em desenvolvimento ao longo de cinco anos, sistemas meteorológicos baseados em IA para 30 países e centros de cooperação com blocos como os BRICS e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

A estratégia chinesa inclui igualmente a promoção de modelos de código aberto, que permitem a investigadores e empresas acederem e desenvolverem tecnologias de IA sem depender exclusivamente de sistemas controlados por grandes empresas norte-americanas. Xi Jinping defendeu que a cooperação internacional deve impedir que a tecnologia fique concentrada num pequeno grupo de países ou empresas.

O discurso representa também uma resposta à estratégia norte-americana de reforço do controlo sobre tecnologias avançadas e cadeias de fornecimento relacionadas com a inteligência artificial. Embora não tenha mencionado directamente os Estados Unidos, Xi criticou políticas que restringem a partilha tecnológica em nome da segurança nacional.

A China procura ainda assumir um papel central na definição das regras internacionais para a inteligência artificial. Durante a conferência, 29 países aderiram à criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, uma iniciativa liderada por Pequim e apresentada como uma plataforma alternativa às estruturas de cooperação apoiadas pelos Estados Unidos.

Xi Jinping defendeu, contudo, que o desenvolvimento da IA deve ser acompanhado por mecanismos de governação, sistemas de monitorização e regras destinadas a manter os seres humanos no controlo das tecnologias mais avançadas. A proposta surge num momento de crescente disputa entre Washington e Pequim pela liderança tecnológica, económica e geopolítica da inteligência artificial.

A ofensiva diplomática chinesa poderá ter particular impacto nos países em desenvolvimento, incluindo os africanos, ao oferecer acesso a formação, tecnologia e infra-estruturas de inteligência artificial. Para Pequim, a disputa pela liderança da IA não se limita à capacidade de criar os modelos mais avançados: envolve também conquistar influência sobre os países que irão utilizar a tecnologia e sobre as regras que irão determinar o seu futuro.

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