Presidente norte-americano afirma que Teerão deve aceitar a rendição e ameaça atacar Omã caso o país não cumpra as exigências de Washington
Declarações aumentam a tensão no Médio Oriente e colocam em risco os esforços diplomáticos para evitar uma nova escalada regional
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta segunda-feira que o Irão deve “render-se” e ameaçou bombardear Omã, caso o país não aceite as exigências de Washington. As declarações foram feitas num momento de elevada tensão no Médio Oriente e representam uma nova escalada na retórica norte-americana contra Teerão.
Trump afirmou que o Irão deveria aceitar uma rendição sem condições, numa declaração que sinaliza uma posição mais dura por parte da administração norte-americana. O Presidente não apresentou, nas declarações citadas pela Reuters, detalhes sobre os termos concretos de uma eventual rendição.
A referência a Omã acrescenta uma dimensão adicional à crise. O país tem desempenhado um papel diplomático relevante no Médio Oriente e tem sido utilizado como intermediário em contactos entre os Estados Unidos e o Irão. Uma ameaça de ataque contra território omanense poderá, por isso, afectar directamente os canais de negociação entre Washington e Teerão.
A escalada ocorre depois de semanas de tensão em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas utilizadas para o transporte mundial de petróleo. Qualquer interrupção prolongada da navegação na região poderá afectar os mercados internacionais de energia e aumentar os custos do transporte marítimo.
As declarações de Trump surgem também num contexto em que os Estados Unidos têm aumentado a pressão económica e militar sobre o Irão. Washington tem procurado utilizar sanções e outras medidas para pressionar Teerão, enquanto as autoridades iranianas continuam a rejeitar determinadas exigências norte-americanas.
A possibilidade de uma expansão do conflito para outros países do Golfo representa um dos principais riscos da actual crise. Estados da região procuram evitar que confrontos entre Estados Unidos e Irão atinjam directamente os seus territórios ou infra-estruturas.
Omã ocupa uma posição particularmente sensível devido à sua localização junto ao Estreito de Ormuz e ao histórico de mediação entre Washington e Teerão. Qualquer ataque ao país poderia comprometer esforços diplomáticos e aumentar a possibilidade de envolvimento de outros actores regionais.
Para os mercados, uma escalada militar na região poderia ter consequências sobre o preço do petróleo, seguros marítimos, rotas de transporte e custos energéticos. O impacto dependeria da dimensão e duração de qualquer eventual interrupção do tráfego no Golfo.
A ameaça dirigida a Omã aumenta o risco de alargamento da crise para além do confronto entre Estados Unidos e Irão e coloca sob pressão um dos principais canais diplomáticos utilizados nas negociações entre os dois países.





