Recursos globais para o combate ao VIH caíram para o nível mais baixo em quase duas décadas, segundo novo relatório da agência das Nações Unidas
África Subsaariana é a região mais afectada, com programas de prevenção e tratamento a sofrerem fortes reduções
O mundo corre o risco de assistir a um ressurgimento da epidemia de VIH, depois de o financiamento global para o combate à doença ter caído 18% em 2025, alertou esta segunda-feira o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA (UNAIDS). O financiamento desceu para 7,3 mil milhões de dólares, o nível mais baixo registado em quase vinte anos.
Segundo o relatório, a redução dos recursos ameaça inverter décadas de progresso que permitiram reduzir as novas infecções e as mortes relacionadas com a SIDA para os níveis mais baixos em mais de 30 anos. A agência considera que a resposta global ao VIH se encontra numa situação de grande fragilidade e alerta que os avanços alcançados poderão perder-se caso o financiamento não seja restaurado.
A queda no financiamento foi influenciada pela redução da ajuda internacional e por mudanças nas políticas de apoio externo. Embora alguns países tenham aumentado o investimento interno para compensar parte das perdas, o total dos recursos disponíveis para combater o VIH diminuiu cerca de 6% face ao ano anterior.
A África Subsaariana, região que concentra aproximadamente metade das novas infecções por VIH em todo o mundo, foi a mais afectada. Em países como os Camarões, Nigéria e Zâmbia, a utilização da profilaxia pré-exposição (PrEP), um medicamento utilizado para prevenir a infecção pelo vírus, registou quedas superiores a 50%.
A UNAIDS alerta que as interrupções no financiamento estão a comprometer serviços essenciais, incluindo programas de prevenção, testes de diagnóstico, distribuição de medicamentos e iniciativas comunitárias de acompanhamento dos doentes. A agência reafirma que o objectivo internacional de acabar com a SIDA como ameaça para a saúde pública até 2030 está cada vez mais distante.
Especialistas em saúde pública defendem que a recuperação do financiamento será decisiva para evitar um aumento das novas infecções e garantir a continuidade dos tratamentos, sobretudo nos países de baixo e médio rendimento, onde grande parte dos programas depende do apoio internacional.





