Maduro regressa ao tribunal nos EUA e já tem data marcada para julgamento por narcotráfico

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Ex-presidente venezuelano e a sua esposa enfrentam acusações de tráfico de droga e narcoterrorismo num dos processos criminais mais mediáticos envolvendo um antigo chefe de Estado estrangeiro
Julgamento foi marcado para 1 de Junho de 2027, enquanto a defesa prepara novos ataques à acusação e à legalidade da captura de Maduro

O antigo Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, regressou esta quarta-feira a um tribunal federal em Nova Iorque para uma nova audiência no processo em que enfrenta acusações de tráfico de droga e narcoterrorismo nos Estados Unidos. O juiz marcou o início do julgamento para 1 de Junho de 2027.

Maduro e a sua esposa, Cilia Flores, são acusados pelas autoridades norte-americanas de terem utilizado as suas posições políticas para facilitar operações de tráfico de cocaína. Ambos declararam-se inocentes das acusações.

O processo tornou-se num dos casos criminais mais controversos envolvendo um antigo líder estrangeiro. A defesa de Maduro deverá contestar a legalidade da sua captura e argumentar que o antigo chefe de Estado beneficia de imunidade perante a justiça norte-americana.

Antes do julgamento, estão previstas várias fases processuais. Os pedidos para arquivar o processo deverão começar a ser analisados em Setembro deste ano, seguindo-se novas audiências em Novembro e no início de 2027.

Maduro enfrenta acusações que incluem conspiração para narcoterrorismo e importação de cocaína. Se for condenado, poderá enfrentar uma pena de prisão perpétua. A acusação norte-americana sustenta que o antigo Presidente esteve envolvido numa rede destinada a facilitar o transporte de grandes quantidades de droga para os Estados Unidos.

A defesa, por outro lado, pretende questionar a forma como Maduro foi levado para os Estados Unidos e a própria autoridade dos tribunais norte-americanos para julgá-lo. A contestação poderá transformar o processo numa batalha jurídica sobre os limites da imunidade de antigos chefes de Estado e sobre a legalidade de operações de captura realizadas no estrangeiro.

O caso ocorre num momento de profunda transformação política na Venezuela. Desde a saída de Maduro do poder, Delcy Rodríguez assumiu a liderança interina do país, enquanto Washington começou a aliviar algumas sanções e a permitir a retoma de investimentos estrangeiros no sector petrolífero venezuelano.

A realização do julgamento poderá transformar Maduro no primeiro antigo líder venezuelano a enfrentar um processo desta dimensão nos Estados Unidos. O resultado poderá ter consequências não apenas jurídicas, mas também políticas para as relações entre Washington e Caracas.

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