Acordo com os Estados Unidos combina internet por satélite, infra-estrutura digital soberana e vigilância inteligente das fronteiras
Projectos reforçam a presença tecnológica norte-americana num dos mercados digitais de maior crescimento da África Ocidental
A Costa do Marfim autorizou oficialmente a entrada da Starlink no mercado nacional e aprovou um projecto de 170 milhões de dólares para a construção de um centro de dados nacional, numa nova aproximação tecnológica e económica entre Abidjan e Washington.
O serviço de internet por satélite da Starlink, empresa do grupo SpaceX, deverá permitir o acesso a ligações de alta velocidade em todo o território marfinense, incluindo zonas rurais e regiões onde a expansão das redes terrestres continua limitada. A autorização foi anunciada pelo secretário-adjunto norte-americano para os Assuntos Africanos, Frank R. Garcia, durante uma visita à Costa do Marfim.
O projecto de 170 milhões de dólares será financiado pelo Export-Import Bank dos Estados Unidos e desenvolvido pela empresa tecnológica Cybastion. A iniciativa prevê a construção de um centro de dados nacional, o lançamento de uma plataforma de digitalização dos serviços públicos e a instalação de um sistema inteligente de vigilância das fronteiras.
A Cisco também participará na cooperação tecnológica, em parceria com a Cybastion e a Embaixada dos Estados Unidos, com o objectivo de apoiar o desenvolvimento do ecossistema digital marfinense e criar novas oportunidades para empresas e trabalhadores dos dois países.
A expansão norte-americana não se limita ao sector tecnológico. Durante a visita de Frank Garcia, foi igualmente anunciado um projecto de 293 milhões de dólares para infra-estruturas de saúde, enquanto a empresa NTELX assinou um contrato para expandir a utilização de tecnologia de coordenação de camiões no Porto de Abidjan.
No conjunto, os projectos anunciados representam cerca de 463 milhões de dólares em investimentos previstos nos sectores da tecnologia, saúde e logística. Para a Costa do Marfim, os acordos reforçam a ambição de se tornar um centro regional de serviços digitais e de investimento na África Ocidental.
A chegada da Starlink poderá aumentar a concorrência no mercado de internet marfinense e melhorar a conectividade em áreas com menor cobertura de banda larga. A expansão do centro de dados e das plataformas digitais poderá, por outro lado, reforçar a capacidade tecnológica do Estado e reduzir a dependência de infra-estruturas digitais localizadas no estrangeiro.
A nova parceria demonstra uma mudança na estratégia de envolvimento dos Estados Unidos em África, com maior aposta em investimentos comerciais e infra-estruturas tecnológicas. Para Washington, a Costa do Marfim surge como um parceiro estratégico num continente onde a disputa pela influência digital entre grandes potências está a ganhar cada vez mais importância.





