Empresa rejeita acusações de ter descarregado milhares de filmes protegidos por direitos de autor para desenvolver os seus modelos de inteligência artificial
Processo envolve 2.973 obras e poderá resultar numa indemnização de até 446 milhões de dólares
A Meta rejeitou as acusações de ter pirateado filmes para adultos com o objectivo de treinar os seus modelos de inteligência artificial, mas confirmou que um dos endereços IP associados aos downloads estava ligado à residência de um antigo engenheiro de dados da empresa. A revelação surge num processo judicial movido pela produtora Strike 3 Holdings.
A empresa de Mark Zuckerberg afirma que a actividade identificada a partir da ligação residencial não estava relacionada com a investigação ou com o desenvolvimento de inteligência artificial da Meta. Segundo a posição apresentada pela empresa, o endereço pertencia ao pai de um antigo trabalhador, que exerceu funções na Meta entre 2022 e 2026.
A Strike 3 acusa a Meta de ter descarregado e partilhado milhares de filmes protegidos por direitos de autor através da rede BitTorrent. A queixa foi entretanto ampliada e passou a incluir 2.973 filmes, contra os 2.396 inicialmente identificados.
A empresa rejeita especificamente que os filmes da Strike 3 tenham sido utilizados para treinar os seus modelos de IA. A Meta admite, contudo, ter descarregado alguns conjuntos de dados de texto através de downloads directos e torrents para desenvolver e treinar modelos da família Llama, mas nega que esses dados incluíssem os filmes em causa no processo.
O processo poderá envolver uma indemnização de até 446 milhões de dólares, caso sejam reconhecidas violações relativas às milhares de obras alegadamente descarregadas. A Meta também argumenta que qualquer partilha automática de ficheiros através do funcionamento da rede BitTorrent teria sido mínima e não teria produzido cópias identificáveis ou utilizáveis das obras.
O caso ocorre num momento em que a Meta enfrenta uma série de processos relacionados com a utilização de material protegido por direitos de autor no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial. Num processo separado, documentos judiciais já revelaram que a empresa utilizou livros obtidos através de fontes consideradas piratas para treinar modelos de IA.
A disputa deverá continuar nos tribunais norte-americanos, com a Meta a negar que a sua actividade de desenvolvimento de inteligência artificial tenha envolvido a pirataria dos filmes em causa. A empresa tenta afastar a acusação de que a Meta pirateou conteúdo para treinar IA — mas, ao fazê-lo, acabou por confirmar que um dos principais endereços IP investigados estava ligado à casa de um antigo engenheiro de dados.





