Memorandos assinados com o Banco Millennium Atlântico e o Access Bank Angola estruturam solução de financiamento para novos operadores. Empresa afirma que o investimento inicial pode ser reduzido em cerca de 70 por cento, sem indicar o montante de referência
A Pumangol vai converter 15 postos de abastecimento para gestão por operadores privados até ao final do ano, cerca de 18 por cento da sua rede nacional.
O programa foi lançado a 24 de Julho, sexta-feira, no stand da empresa na 41.ª edição da Feira Internacional de Luanda, com a assinatura de dois memorandos de entendimento, celebrados separadamente com o Banco Millennium Atlântico e com o Access Bank Angola. O modelo adoptado é o COFO, sigla inglesa para Company Owned, Franchise Operated, em que a empresa mantém a propriedade do posto e entrega a exploração comercial a um franquiado. As candidaturas abrem em Agosto.
No âmbito do programa, a Pumangol estruturou com as duas instituições financeiras uma solução de crédito destinada a facilitar a entrada de novos operadores no negócio. Segundo a empresa, o objectivo é reduzir uma das principais barreiras à entrada, o investimento inicial, que poderá ser reduzido em cerca de 70 por cento. O comunicado não indica, contudo, o montante exigido a um candidato, pelo que não é possível determinar o valor absoluto da redução anunciada.
A empresa sublinha ainda que os memorandos não constituem compromisso de concessão de crédito, cabendo a cada instituição financeira a decisão autónoma sobre cada pedido de financiamento. A elegibilidade para o programa não garante, por isso, acesso ao crédito que o torna viável.
O director financeiro do Grupo Pumangol, Caetano Pinto, considerou que a assinatura representa um passo estratégico para a expansão da empresa e para a promoção do empreendedorismo nacional, afirmando que a parceria alia “a experiência da Pumangol, a confiança dos nossos parceiros financeiros e a capacidade empreendedora dos empresários angolanos”.
Pelo lado da banca, o Administrador Executivo do Banco Millennium Atlântico, Sidney Magalhães, enquadrou o protocolo no compromisso da instituição com a cadeia de valor do sector petrolífero e adiantou que o banco disponibilizará aos parceiros comerciais da Pumangol “uma solução de crédito com taxa bonificada e condições competitivas”, que permitirá reforçar a tesouraria e assegurar a continuidade do fornecimento de combustível nos postos. O valor da taxa e o diferencial face às condições de mercado não foram divulgados.
O Presidente da Comissão Executiva do Access Bank Angola, Ricardo Ferreira, associou a parceria à estratégia de diversificação económica, através do aumento da capacidade dos prestadores de serviços logísticos, e ao compromisso com o desenvolvimento do tecido empresarial nacional.
O programa destina-se a empresários e investidores com capacidade para gerir um posto de abastecimento segundo os padrões operacionais e comerciais da empresa. Os candidatos devem demonstrar capacidade financeira para assegurar o fundo de maneio da operação, experiência na gestão de negócios e equipas, idoneidade empresarial, conformidade com as obrigações legais, fiscais e regulatórias e potencial de expansão futura. A selecção decorre em seis fases, que incluem candidatura, pré-qualificação, avaliação bancária, contratualização, formação dos operadores e início da operação sob o novo modelo — percurso a concluir, para as 15 unidades previstas, em cerca de cinco meses.
Permanecem por divulgar elementos determinantes para quem pondere candidatar-se. Não são conhecidos o valor da taxa de franquia, a eventual existência de royalties sobre as vendas, a duração dos contratos, o capital próprio mínimo exigido, nem quais os postos a converter e em que províncias se localizam. O comunicado remete para informação adicional sobre critérios de elegibilidade, documentação e calendário, sem indicar onde pode ser obtida.
A Pumangol dispõe actualmente de 83 postos de abastecimento distribuídos por 19 das 21 províncias do país e de sete terminais de armazenamento.
O modelo COFO
Na sigla inglesa Company Owned, Franchise Operated, a empresa proprietária mantém a titularidade do posto e das instalações, transferindo para um operador privado a gestão corrente da unidade, ao abrigo de um contrato de franquia que fixa padrões de serviço e de imagem. O modelo distingue-se da exploração directa, em que a própria empresa opera o posto, e da propriedade integral do revendedor. Permite à detentora da marca alargar ou redistribuir a rede sem assumir os custos operacionais de cada unidade, transferindo para o franquiado o risco comercial do dia-a-dia.







