Nova instituição pretende mobilizar até 133 mil milhões de dólares para financiar projectos de defesa e segurança
Iniciativa liderada por Ottawa reflecte esforços para reduzir a dependência dos aliados em relação aos Estados Unidos
O Canadá pretende anunciar, na próxima cimeira da NATO, na Turquia, o apoio de cerca de dez países fundadores a um novo banco multilateral destinado a financiar investimentos em defesa, segurança e resiliência, numa iniciativa que poderá alterar a forma como os aliados financiam o reforço das suas capacidades militares.
A nova instituição, denominada Banco de Defesa, Segurança e Resiliência (DSRB, na sigla em inglês), é promovida pelo primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, como parte da sua proposta de uma aliança de “potências intermédias” para responder ao que considera ser a fragmentação da ordem internacional tradicional liderada pelos Estados Unidos.
Segundo Isabelle Hudon, principal negociadora canadiana do projecto e presidente executiva do Banco de Desenvolvimento Empresarial do Canadá, o objectivo é divulgar na cimeira da NATO a lista inicial dos países fundadores da instituição, embora as negociações sobre os compromissos financeiros e a participação de alguns Estados ainda estejam em curso.
O banco pretende mobilizar até 100 mil milhões de libras esterlinas, equivalentes a cerca de 133 mil milhões de dólares, através de financiamento de baixo custo para apoiar projectos de defesa nos países participantes. A iniciativa procura responder às dificuldades enfrentadas por muitas empresas do sector da defesa, sobretudo pequenas e médias empresas, no acesso a capital para expandir a produção militar.
Hudon indicou que a lista inicial de membros deverá ser composta principalmente por países europeus, além do Canadá, embora tenha recusado identificar quais são essas nações. A responsável admitiu ainda que o anúncio depende das negociações finais e não está totalmente garantido.
O sucesso do projecto poderá depender da adesão de países com elevado peso financeiro, considerados essenciais para que a instituição obtenha uma classificação de crédito de triplo A, condição vista como fundamental para captar recursos nos mercados internacionais em condições favoráveis.
A Coreia do Sul surge como um potencial futuro participante. Segundo a negociadora canadiana, existem “50% de probabilidades” de Seul aderir ao projecto numa fase posterior. No entanto, nenhum outro membro do G7 está próximo de formalizar a sua participação.
A proposta canadiana enfrenta também a concorrência de outras iniciativas de financiamento da defesa, incluindo o programa europeu Security Action for Europe (SAFE), que disponibiliza até 150 mil milhões de euros em empréstimos para aquisições conjuntas de equipamento militar. O Reino Unido e a Alemanha manifestaram reservas relativamente ao banco proposto por Ottawa e, até ao momento, não aderiram à iniciativa.
A criação do DSRB ocorre num contexto de forte aumento das despesas militares entre os membros da NATO, impulsionado pela guerra na Ucrânia, pelas tensões geopolíticas e pela crescente pressão para que os aliados europeus assumam uma maior responsabilidade pela sua própria defesa. A cimeira da NATO, marcada para os dias 7 e 8 de Julho em Ancara, deverá centrar-se precisamente no reforço das capacidades militares da aliança e no aumento dos investimentos em defesa.




