A administração da central nuclear de Zaporizhzhia, controlada pelas forças russas, afirmou que um drone ucraniano matou duas pessoas que se encontravam num automóvel, incluindo uma funcionária da instalação.O incidente aumenta a preocupação com a segurança dos trabalhadores da maior central nuclear da Europa, numa região marcada por ataques recorrentes desde o início da invasão russa.
Duas vítimas mortais em ataque atribuído à Ucrânia
A administração da central nuclear de Zaporizhzhia informou, nesta terça-feira, 3 de Novembro, que um drone ucraniano atingiu um automóvel, provocando a morte de duas pessoas. Entre as vítimas estava uma mulher que trabalhava na própria central.
A declaração divulgada pela gestão da instalação não especificou o local exacto onde ocorreu o ataque, nem apresentou detalhes adicionais sobre as circunstâncias em que o veículo foi atingido.
Segundo a administração, a funcionária morta no incidente é a terceira pessoa ligada à central a perder a vida nas últimas duas semanas. Desde Abril, o número de trabalhadores mortos em episódios associados à instalação terá atingido 13, de acordo com os dados divulgados pela entidade.
A administração condenou o ataque, classificando a ofensiva contra veículos civis como uma acção deliberada contra pessoas que não deveriam ser alvos militares.
Ucrânia ainda não comentou as acusações
Até à divulgação da informação, as autoridades ucranianas não tinham apresentado uma resposta pública sobre o incidente.
A atribuição do ataque à Ucrânia foi feita pela administração da central, que se encontra sob controlo russo. A informação não foi confirmada de forma independente, pelo que as circunstâncias e a responsabilidade pelo episódio permanecem por esclarecer.
A ausência de uma confirmação independente é particularmente relevante num conflito em que os dois países se acusam frequentemente de realizar operações que colocam em risco infra-estruturas civis e instalações nucleares.
Central está sob controlo russo desde 2022
A central nuclear de Zaporizhzhia, situada no sudeste da Ucrânia, foi tomada pelas forças russas nas primeiras semanas da invasão iniciada em Fevereiro de 2022.
A instalação é considerada a maior central nuclear da Europa e possui seis reactores. Actualmente, encontra-se fora de operação, mas continua a exigir condições rigorosas de segurança para preservar os sistemas essenciais e evitar riscos relacionados com o material nuclear.
Desde a ocupação, Moscovo e Kiev têm trocado acusações sobre ataques e actividades militares nas proximidades da central. Os episódios incluem ataques com drones, danos em infra-estruturas e incidentes envolvendo funcionários e veículos utilizados no transporte de pessoal.
A presença militar numa zona que alberga uma instalação nuclear de grande dimensão tem sido motivo de preocupação para a comunidade internacional.
Agência internacional acompanha a situação
A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), organismo das Nações Unidas responsável pela supervisão da segurança nuclear, informou na semana anterior que um funcionário da central tinha sido morto. Na ocasião, a agência não revelou detalhes sobre o incidente.
O director-geral da AIEA, Rafael Grossi, tem apelado repetidamente às partes envolvidas no conflito para que mantenham a contenção militar nas proximidades da instalação.
A agência considera que qualquer actividade militar junto de uma central nuclear pode comprometer a segurança, mesmo quando os reactores não estão a produzir electricidade.
A protecção dos trabalhadores, das infra-estruturas e dos sistemas de segurança continua a ser uma das principais preocupações do organismo internacional.
Histórico de ataques aumenta tensão na região
O episódio desta terça-feira surge num contexto de sucessivos incidentes envolvendo a central e os seus funcionários.
Em Julho, o responsável pela empresa estatal russa de energia nuclear Rosatom afirmou que o engenheiro-chefe da instalação tinha sido morto num ataque de drone nas proximidades da central. Segundo a versão russa, o ataque atingiu um veículo de serviço e também provocou a morte do condutor.
Outros episódios relatados ao longo dos últimos meses envolveram trabalhadores, transportes de pessoal e infra-estruturas relacionadas com a instalação.
A repetição destes incidentes tem intensificado os receios de que os confrontos na região possam afectar indirectamente a segurança nuclear, mesmo sem danos directos nos reactores.
Segurança nuclear permanece uma preocupação internacional
Apesar de a central estar actualmente desligada da produção eléctrica, o seu funcionamento seguro depende de sistemas de alimentação, arrefecimento, manutenção e vigilância.
Uma interrupção prolongada de serviços essenciais ou danos em equipamentos críticos poderiam criar riscos que ultrapassam as fronteiras da Ucrânia e da Rússia.
Por esse motivo, a AIEA tem defendido que as instalações nucleares devem ser protegidas de qualquer acção militar e que os trabalhadores precisam de condições seguras para desempenhar as suas funções.
O novo ataque atribuído à Ucrânia reforça a preocupação com a exposição dos funcionários da central e evidencia a dificuldade de garantir a segurança de infra-estruturas nucleares em territórios afectados por conflitos armados.





