Irene A’mosi, Wilson Belas e Maria Brandão mostraram em Luanda os trabalhos feitos na primeira edição da residência “Atlantic Waves of Change – Arte pelos Oceanos”. Cada um recebeu um subsídio de um milhão de kwanzas.
Os artistas angolanos Irene A’mosi, Wilson Belas e Maria Brandão apresentaram a 28 de Outubro, no Instituto Guimarães Rosa, em Luanda, os trabalhos desenvolvidos na residência “Atlantic Waves of Change – Arte pelos Oceanos”. A mostra esteve aberta ao público até 30 de Outubro. Segundo a organização, esta foi a primeira edição da residência, promovida pela empresa Atlantic Logistic Services em parceria com a galeria The Art Affair.
Os três artistas foram seleccionados entre 23 candidaturas e trabalharam de 21 de Setembro a 21 de Outubro no Hotel Globo, na Baixa de Luanda. Cada um recebeu um subsídio de participação de um milhão de kwanzas, num total de três milhões. Tiveram também alojamento, alimentação e acompanhamento técnico e curatorial. A organização não divulgou o custo total do programa.
Do terreno para a exposição
O programa incluiu formações, conversas com especialistas e visitas de campo, entre elas a locais de deposição de resíduos. Segundo a organização, o objectivo era levar os artistas a investigar o uso de materiais descartados e os impactos da actividade humana no ambiente. O acompanhamento esteve a cargo do curador Hemak Verkron.
As propostas seguiram caminhos distintos e não se limitaram às artes plásticas. Irene A’mosi trabalhou a ligação entre memória, recursos marinhos, economia e ambiente. Wilson Belas aproximou a sua proposta da realidade dos bairros de Luanda e da circulação de resíduos. Maria Brandão, que trabalha habitualmente com materiais reutilizados, aprofundou a dimensão conceptual da sua prática.
No balanço das quatro semanas, Irene A’mosi disse que o contacto com outros artistas, mentores e áreas de conhecimento a levou a rever a pesquisa inicial. “É quase impossível sair como se entra. É um processo transformativo”, afirmou a artista, que já tinha passado pelas residências da Nesr Art Foundation, em Luanda.
Wilson Belas destacou as visitas de campo e o contacto com quem recolhe e aproveita materiais descartados, e disse que tenciona dar continuidade a estas preocupações no seu trabalho. “Vou sair com a bateria mais carregada e com outro conceito sobre os resíduos”, referiu.
Máscaras feitas com o lixo da praia
A residência incluiu uma actividade de educação ambiental com crianças no Mussulo. Os participantes recolheram materiais descartados na praia e transformaram-nos em máscaras. Segundo Maria Brandão, as crianças tinham entre seis e 13 anos, aproximadamente.






