Primeira edição da feira decorre de 5 a 8 de Novembro, por iniciativa do Ministério da Cultura em parceria com o Grupo Arena. Associações culturais questionaram o valor do investimento e o retorno para os participantes, mas não obtiveram resposta.
A primeira edição da Expo Cultura Angola 2026 foi lançada oficialmente na sexta-feira, 21 de Agosto, na Baía de Luanda, com a ambição de transformar a cultura em plataforma efectiva de negócios e em instrumento de diversificação da economia nacional. O certame realiza-se de 5 a 8 de Novembro, em Luanda, e vai juntar artistas, criadores, empresas, empreendedores, instituições públicas e privadas e parceiros internacionais.
Do lançamento não saíram, porém, números. Em sessão de interacção com o titular da pasta, representantes de associações culturais saudaram a iniciativa, mas apontaram a precariedade em que vive boa parte da classe artístico-cultural e procuraram saber qual o valor investido e quanto os participantes irão auferir. Nenhuma das duas perguntas obteve resposta concreta por parte dos organizadores.
Filipe Zau, ministro da Cultura, defendeu que o sector deve ser visto como “um instrumento estratégico para gerar emprego, rendimento, inovação e receitas”. O governante apelou a uma mudança de percepção sobre a cultura, que, no seu entender, não deve ser encarada apenas como área consumidora de recursos, mas como sector capaz de gerar riqueza e contribuir para o Produto Interno Bruto (PIB) através das indústrias culturais e criativas.
Bruno Albernaz, presidente do conselho de administração (PCA) do Grupo Arena, partilha a mesma visão. Considerou que a Expo Cultura 2026 representa uma “oportunidade para transformar a produção cultural em negócio, promover a profissionalização dos fazedores de arte e criar novas fontes de rendimento” e garantiu que a feira terá carácter auto-sustentável, contribuindo assim para a diversificação económica de Angola.
“Se nós transformarmos tudo isto em negócio, com certeza vamos deixar maior riqueza, melhorar a nossa condição social e ajudar na diversificação da nossa economia”, defendeu.
A garantia de auto-sustentabilidade não foi, contudo, acompanhada da explicação sobre a repartição de custos entre o Estado e o parceiro privado, nem sobre o preço de participação para empresas, pequenos empreendedores e artistas.
Com diferentes modalidades de participação, que incluem stands para empresas, pequenos empreendedores e artistas, além de actividades culturais e iniciativas de negócio, a Expo Cultura Angola 2026 procura aproximar cultura e mercado. Os promotores esperam que o evento se consolide como montra anual de promoção da produção nacional, criação de oportunidades e projecção do soft power cultural angolano.







