Produto Ondjila abrange agricultura, indústria transformadora, comércio, transportes e logística no eixo ferroviário. Banco público anunciou juro de 7,5 por cento para sectores elegíveis que não identificou
O Banco de Desenvolvimento de Angola lançou uma linha de crédito dirigida a projectos ao longo do Corredor do Lobito, um dos cinco novos produtos financeiros da instituição.
Os produtos foram apresentados a 21 de Julho, no dia de abertura da 41.ª edição da Feira Internacional de Luanda, em cerimónia integrada nas celebrações dos 20 anos do banco. Denominam-se Massuika, Agrega+, Ondjila, Luzingo e BDA Export, e abrangem, no conjunto, a agricultura, a pecuária, a pesca, a indústria, a logística, a exportação, a economia verde e projectos de impacto social. A nota de imprensa distribuída pela instituição limita-se a nomear os produtos, sem descrever qualquer deles.
Segundo o relato da apresentação, o Ondjila constitui uma linha de financiamento dirigida a projectos previstos ao longo do Corredor do Lobito, com o objectivo de apoiar a expansão das empresas, melhorar a eficiência logística e aumentar a produção nacional destinada ao consumo interno e à exportação. O produto contempla investimentos na agricultura, na indústria transformadora, no comércio, nos transportes e na logística.
Entre as actividades elegíveis figuram a produção de frutas tropicais, cereais, leguminosas e tubérculos, a industrialização de produtos agrícolas, a exploração de minerais metálicos e não metálicos, bem como a criação de centros logísticos e de soluções para o transporte e escoamento de produtos.
O banco anunciou ainda a aplicação de uma taxa de juro de 7,5 por cento para determinados sectores e actividades elegíveis, sem identificar quais. O valor compara com uma taxa básica do Banco Nacional de Angola de 17 por cento, fixada em Maio, e com uma meta de inflação de 11,5 por cento para 2026, revista em baixa pelo banco central no mesmo mês — o que situa o custo do crédito abaixo de metade da taxa directora e em terreno negativo em termos reais.
A nova linha incide sobre um eixo cuja componente ferroviária está a ser modernizada com capital externo. No início de Julho foi concluído o fecho financeiro de uma operação de 753 milhões de dólares destinada à infra-estrutura, dos quais 553 milhões assegurados pela agência norte-americana International Development Finance Corporation e 200 milhões pelo Development Bank of Southern Africa. Enquanto esse financiamento se destina à via férrea e ao terminal mineiro, vocacionados sobretudo para o escoamento de minerais críticos, o instrumento agora criado pelo BDA dirige-se às empresas angolanas que pretendam produzir e escoar mercadorias através do corredor.
Permanecem por divulgar elementos determinantes para os candidatos. Não são conhecidos os prazos de reembolso, os períodos de carência, as garantias exigidas nem os montantes máximos por operação. Foi noticiado que algumas modalidades preveem financiamentos a partir de 500 milhões de kwanzas, limiar que, a confirmar-se como mínimo, excluiria micro e pequenas empresas. Os restantes quatro produtos não foram descritos publicamente.
Ao longo da feira, que decorre até 26 de Julho, o banco disponibiliza informação sobre os novos instrumentos no seu stand institucional e através de um serviço automatizado de atendimento no WhatsApp.






