Banco Sol e Alvarez & Marsal debateram crédito malparado com rácio da banca angolana nos 16,4%

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A sessão decorreu a 3 de Novembro, à margem da Cimeira da Indústria Financeira Africana, em Luanda. Gestores angolanos e estrangeiros defenderam respostas que vão da origem do crédito a mecanismos regionais de resolução.

O Banco Sol e a consultora norte-americana Alvarez & Marsal reuniram a 3 de Novembro, em Luanda, gestores bancários e especialistas para discutir como libertar os balanços dos bancos do crédito malparado. A sessão decorreu à margem do Africa Financial Summit (AFIS), a cimeira da indústria financeira africana que Angola acolhe este ano.

O tema pesa no sistema bancário angolano. No final de Junho, o crédito malparado representava 16,4% do crédito bruto, segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA) tratados pelo semanário Expansão. São mais 0,6 pontos percentuais do que no final de 2025. O stock rondava os 1.924 milhões de dólares, cerca de 200 milhões acima do registado seis meses antes. O pico foi atingido em Junho de 2019, com 34,5%.

Um legado a separar do futuro

Na abertura, o presidente executivo do Banco Sol, Osvaldo Lemos Macaia, defendeu que o crédito malparado seja tratado como um legado, com mecanismos próprios de resolução. O objectivo é evitar que absorva recursos da actividade corrente. “Os empréstimos não produtivos são passados e a principal actividade deve estar focada no futuro”, afirmou.

O próprio Banco Sol executa um plano de recapitalização e reestruturação, aprovado pelo BNA em Abril de 2025. O plano inclui a recuperação activa de crédito malparado, a venda de imóveis fora da actividade principal e o encerramento de balcões.

Segundo a organização, António Ramalho, antigo presidente executivo do Novo Banco, em Portugal, e hoje conselheiro da Alvarez & Marsal, sustentou que não há uma solução universal. Para Ramalho, a resposta depende de cada banco, do enquadramento regulatório, da estrutura accionista e do mercado.

Da origem do crédito aos tribunais

O administrador executivo da Recredit, Avelino Kiampuku, defendeu a intervenção desde a concessão do crédito, com avaliação de risco, garantias de qualidade e acompanhamento dos devedores. Alertou também para a morosidade dos processos judiciais, que pode desvalorizar as garantias. A Recredit é a empresa pública criada para recuperar crédito malparado da banca. Segundo a Ver Angola, recuperou 31,19 mil milhões de kwanzas em 2024.

O presidente do Trade and Development Bank (TDB), Admassu Tadesse, propôs que se pensem mecanismos regionais de resolução de activos problemáticos, que juntem investidores, bancos e entidades africanas. O debate foi moderado pelo presidente da Deloitte Angola, José Barata.

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