Banco responde ao aumento da procura por operações em yuan nas relações comerciais com a China
Entrada no CIPS reforça tendência de diversificação monetária no sistema financeiro angolano
O Banco de Fomento Angola (BFA) prepara a adesão ao Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços da China (CIPS), numa iniciativa destinada a responder ao crescimento da procura por liquidações internacionais em yuan por parte dos seus clientes. A informação foi avançada pela Reuters e divulgada em Angola pela PTI.
Segundo uma fonte da instituição bancária citada pela Reuters, o aumento das relações comerciais entre Angola e a China está a alterar os fluxos financeiros utilizados pelas empresas. “Percebemos, através dos nossos clientes, que os fluxos financeiros com a China terão de migrar para o sistema CIPS. Se permanecermos à margem, podemos até perder esse relacionamento com os nossos clientes chineses”, afirmou a fonte.
O CIPS é a infra-estrutura oficial da China para compensação e liquidação de pagamentos internacionais em yuan, criada pelo Banco Popular da China em 2015. Ao contrário da rede SWIFT, que funciona essencialmente como sistema de troca de mensagens financeiras entre bancos, o CIPS integra serviços de mensagens, compensação e liquidação directamente denominados em yuan, utilizando igualmente o padrão internacional ISO 20022, o que facilita a interoperabilidade entre os dois sistemas.
A decisão do BFA surge após o Banco Nacional de Angola (BNA) autorizar os bancos comerciais a utilizarem o yuan para cumprir parte das reservas obrigatórias em moeda estrangeira, atribuindo-lhe o mesmo estatuto do dólar norte-americano, do euro e do rand sul-africano. O Governo angolano anunciou igualmente que estuda a possibilidade de recorrer a financiamento denominado em yuan, aproveitando taxas de juro mais reduzidas.
A adesão do BFA enquadra-se numa tendência mais ampla de diversificação monetária em África, impulsionada pelo reforço das relações comerciais com a China. Segundo o banco central chinês, o CIPS liga actualmente mais de 4.900 instituições financeiras em cerca de 190 países e regiões, tornando-se a principal infra-estrutura internacional para pagamentos em yuan.
De acordo com a Reuters, o BFA prevê concluir o processo de integração até ao próximo ano. A iniciativa procura facilitar as operações dos clientes que mantêm relações comerciais com a China e acompanhar a crescente utilização internacional da moeda chinesa nas transacções comerciais e financeiras.
A futura integração no CIPS reforça a estratégia de diversificação das operações internacionais do BFA e reflecte a crescente importância do yuan nas relações económicas entre Angola e a China, num contexto de transformação das infra-estruturas globais de pagamentos.





